Qualquer que seja a decisão, hoje, do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, sobre os juros básicos (deve ser mantida a taxa de 19% ao ano, fixada na reunião de julho), pouco ou quase nada deve impactar no agronegócio e no setor alimentício.

Equipamentos, caminhões, grande parte dos insumos - enfim, o grosso dos itens que pesam na composição dos custos -, já estão negociados, inclusive as taxas, tantos para quem financiou via banco, como para quem negociou com fornecedores empenhando a colheita.

A permanência dos juros - altos como estão - pode transparecer, quando muito, na composição dos preços das mercadorais de giro rápido. Ração animal, por exemplo, afetando as carnes, principalmente de aves e suínos.

Como as projeções de aumento do consumo devem ser revistas, isto é não devem ser confirmadas, o setor industrial terá dificuldade de repassar custos. Logo, o diferencial de custo tem que ser absorvido pela própria cadeia alimentar (do frango, do suíno, etc), sem chegar à ponta do consumo.

Portanto, o estrago que a política de juros altos tinha de fazer este ano, já o fez. A inflação deve ficar acima dos 6%, porém não muito. De novo, será contida pelo estômago do consumidor, porque mesmo que os juros (no caso a taxa Celic) permaneçam no atual patamar de 19%, e o comércio pratique índices bem maiores, como mostram as taxas cobradas pelo cheque especial, por exemplo, o alvo que irá encontrar será sempre um consumidor cauteloso, calejado.

Por via marginal - e não por conta de um sonhado aquecimento econômico - o setor alimentício pode até crescer no último trimestre. Mas aí será por circunstancial deslocamento de consumo (quem não pode trocar de carro ou substituir os eletrodomésticos, vai consumir alguns quilos de picanha a mais).
Mas este comportamento não é parâmetro para aferir aumento de demanda. É quase um acidente de percurso.

LEITURA DINÂMICA

- O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, falará dia no próximo dia 28, às 20 horas, no Village Praça de Eventos, em Cambé, sobre ''Tendências e Oportunidades na Economia Brasileira''.

- O encontro com empresários e lideranças da área econômica é promovido pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD-PR) em parceria com o Grupo Promotor de Desenvolvimento Regional (GPDR).

- Efeitos da crise argentina e crise energética estão entre os tópicos da palestra.

- As inscrições são gratuitas e as reservas de vagas devem ser feitas na ABTD pelo telefone (43) 342 9391.

- Loyola exerceu a presidência do BC por duas vezes: entre novembro de 1992 e março de 1993, e entre junho de 1995 e agosto de 1997.

- É doutor em Economia pela Escola de Pós Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, onde também cursou o mestrado em Economia.

DROPS

Líder/Dourados Laticínio paranaense investe em Mato Grosso do Sul. O Laticínio Nova Esperança, de Lobato (60 km ao norte de Maringá) está investindo R$ 20 milhões numa fábrica em Dourados (MS). A fábrica começa a operar dentro de 8 meses, vai gerar 400 empregos diretos e irá processar mais de 450 mil litros de leite por dia.

Receita A empresa, dona da marca Líder, é uma das maiores da região Centro-Sul. Sua receita bruta alcançou R$ 170 milhões no ano passado e a previsão para 2001 é bater na casa dos R$ 210 milhões. O pacote de incentivos oferecidos pelo governo do Estado e pela prefeitura de Dourados foi decisivo na escolha para a nova unidade.

Etapas A empresa informou ontem à Agência Estado, que a instalação da fábrica se dará em duas etapas. Na primeira serão industrializados 120 mil litros/dia. A instalação desta unidade exigirá R$ 5 milhões em investimentos. A próxima fase absorverá R$ 15 milhões e vai processar 340 mil litros/dia.

Centro-Oeste A empresa paranaense quer expandir as atividades para entrar no mercado do Centro-Oeste, uma vez que a unidade de Lobato, não tem mais como crescer.

Leilão/milho Amanhã, nas bolsas de cereais, leilão de PEP para 65 mil t de milho. Serão leiloados dois lotes do MT. O lote 1 (40 mil t) terá preço máximo de R$ 4,48/saca, com entrega determinada nas regiões Norte e Nordeste. O lote 2 (25 mil t), com preço máximo de R$ 3,59/saca, vai para ES, RJ, Norte de Minas e Zona da Mata.

Leilão/arroz Amanhã, às 10 horas, o leilão eletrônico de venda de 25.993 t de arroz, casca, longo/fino, depositados em MT, PA, DF, GO e MS.

Milho/P.Grossa Cotação de Compra pelos atacadistas Sima/Deral, ontem nos Campos Gerais: R$ 9,00 a R$ 11,50/saca. Mercado estável.

Milho/Paranaguá Variando entre R$ 10,50 e R$ 11,50. Sem contratos e sem embarque esta semana. Em Cascavel, um preço compacto: R$ 9,10 no atacado.

Soja/Bolsa Soja fechou em alta ontem para contratos de outubro na Bolsa de Chicago. Mercado interno, apático desde a semana passada, não reagiu muito. Máximo de R$ 24,50 em Cascavel.

Paranaguá No Porto de Paranaguá R$ 29,70, com dólar a R$ 2,55. Veja mais na página 4.

Indicador O indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F no atacado, ficou ontem em R$ 28,02/saca, alta de 0,61%. Em dólar, o indicador ficou em US$ 10,99/saca, queda de 0,36%. O indicador, divulgado pela AE, é calculado pela Esalq com base nos preços disponíveis em cinco praças do Estado do Paraná.

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