Oswaldo Petrin
O desempenho do mercado de commodities não pode ser analisado no curto prazo. Tampouco o reflexo do seu comportamento na balança comercial deva ser projetado segundo a performance desses itens durante algumas semanas. Mas, ontem, contrariando as previsões de sexta-feira, a semana começou com comportamento apático da soja. Café, nem se fala.
Se o dólar continuar comportado e o clima melhorar as condições das lavouras norte-americanas - principal item da balança - o preço da soja vai até o final da temporada de comercialização sem fugir muito do atual patamar. Neste caso, tudo o que se projetava em termos de ganho, tem que ser revisado.
Consequentemente, isto vai transparecer nas análises de comportamento da balança.
A balança comercial brasileira registrou uma melhora significativa até a terceira semana deste mês. No período, as exportações superaram em US$ 162 milhões as importações, resultado que equivale a 81% do superávit acumulado no ano, de US$ 200 milhões.
Os dados do período apontam para o seguinte: não dá para apostar numa performance a partir do setor primário. Em abril, sim, a recuperação da balança coincidiu com o início dos embarques dos produtos do complexo soja (grãos, óleo, farelo), que representam 14% das exportações brasileiras.
LEITURA DINÂMICA
- Mais um especialista defende plantio de arroz transgênico. É o diretor do Fundo Latino-Americano para o Arroz Irrigado (Flar), Luis Sanint.
- Ele apresentou ontem em Porto Alegre, no 2º Congresso de Arroz Irrigado, um painel da evolução produtiva do grão no último século.
- Pessimista com as possibilidades de acesso à tecnologia, o economista colombiano disse que ''pode ser que haja muita concorrência no futuro, mas a tendência é que as multinacionais se apoderem de tudo''.
- Defendeu o acesso dos agricultores à tecnologia dos transgênicos.
Na polêmica que envolve os alimentos geneticamente modificados, a principal preocupação para Sanint é a livre concorrência neste mercado.
- ''Enquanto os países em via de desenvolvimento discutem questões ambientalistas, os desenvolvidos dominam a técnica e ocupam o mercado'', disse.
DROPS
Café/Centenário Amanhã, em Centenário do Sul, técnicos e agricultores de 10 municípios da região de Porecatu discutem opções para garantir rentabilidade da cafeicultura. Após abertura, pelo presidente da Cofercatu, José Otaviano Ribeiro, falarão os técnicos do Iapar, Ministério da Agricultura, da Emater e da própria Cooperativa,
Borracha A agroindústria brasileira está usando mais borracha nas suas instalações. A Kraiburg, responsável pela introdução dos pisos de borracha para animais no Brasil, comercializou 10 mil m2 de seus produtos de janeiro a julho deste ano, 15% a mais que o mesmo período de 2000.
Syngenta/feijão A Syngenta promoverá, nos próximos dias 23 e 24, a 2 Reunião do Clube Feijão Pé Quente, que acontecerá no Hotel Sumatra, em Londrina. Mais de 30 influenciadores da cultura no PR, SC, RS e SP, convidados pela Syngenta, discutirão oportunidades do cultivo de feijão, como níveis tecnológicos produtividade e controle fitossaninário. A programação do evento incluirá ainda uma análise de mercado, feita pelo consultor Vlamir Brandalizze.
''Influenciadores'' Entre os influenciadores estarão presentes Ricardo Balardin (Universidade de Santa Maria), Marco A. Lollato (Iapar), Jairo de Castro (Iac), além de técnicos da Coamo-PR, Batavo-PR, Coopavel-PR, Holambra-SP, Cooperalfa-SC, Cotrel-RS.
Soja/queda A soja começou a semana com forte queda na Bolsa de Chicago, contrariando o previsto. No final de semana choveu bem nas lavouras do meio-este americano, interropendo as perdas causadas pela seca. O mercado, porém, não levou em conta os prejuízos causados até agora, um ponto ainda a ser elucidado e que será alvo de especulação enquanto não sai o relatório do Usda.
Soja/Chicago Contratos com fechamento para setembro foram cotados a US$ 4,89/bushel (US$ 10,78/saca de 60 kg), uma queda de 14 centavos de dólar. Para os demais meses as quedas foram superiores a 10 centavos de dólar. O analista da FNP, Adriano José Timossi, observa que a previsão para os próximos dias é de clima seco e quente.
Soja verde O analista observa que não são boas as condições para vendas antecipadas. Isto depende da retomada da alta na Bolsa de Chicago. E depende ainda mais do comportamento do câmbio daqui para frente.
Paranagua O preço da soja, ontem, em Paranaguá, chegou a R$ 28,50/sc com poucos negócios. Se o preço não reagir, o ritmo tende a continuar lento, tanto no disponível como nos contratos futuros.
Ponta Grossa Em Ponta Grossa R$ 27,00, com poucos negócios. Apucarana teve ampla variação de preços, entre R$ 24,00 e 26,00, segundo a ''cotação de compra pelos atacadistas'' Sima/Seab. Veja também na página 4.
Milho/P.Grossa Cotação de compra pelos atacadistas de milho, ontem, variou entre R$ 9,00 e R$ 11,50/saca. Em Apucarana, preço máximo R$ 9,50.
Milho/Curitiba Na Capital e municípios vizinhos, preço do milho, ontem avaliado pela ''cotação de compra pelos atacadistas'' variou ontem entre R$ 9,20 e R$ 10,00.
Milho/Sudoeste Preço do milho, pelos atacadistas, variou ontem de R$ 9,50/9,80, em Francisco Beltrão, até R$ 9,80/10,20, em Pato Branco.





