Oswaldo Petrin
Sábado, Dia do Leitor
Marcelo Favarão, de Campina da Lagoa: ''Venho acompanhando há algumas semanas o desenrolar do chamado ''Acordo do Milho'', em que os compradores se comprometem a pagar ''extraordinários'' R$ 10,00 (brutos) por uma saca de milho, e o agricultor se compromete a entregar o dito produto, levando prejuízo, é claro.
Sou membro da comissão de grãos da Faep e, em nenhum momento fui consultado ou informado que tal acordo estava em andamento, e acredito que nem mesmo o presidente da comissão, sr. Edison Mazei Ponte, não foi chamado para as negociações. Digo isto porque meses atrás, esta mesma comissão se reuniu em Curitiba para acertar quais seriam as propostas a serem encaminhadas ao Ministério da agricultura para a formulação do Plano de Safra 2001/2002, e dentre elas estava o pedido para que fossem oferecidos aos produtores de milho, contratos de opção, de 30% de sua safra, ao preço equivalente a US$ 5,20.
Este número não caiu do céu. Esta mesma comissão trabalhou meses, estudando os custos de produção do milho e chegou a este valor, computando desde insumos até depreciação.
Para se ter uma idéia, o custo de uma saca de milho para o agricultor, na safra de verão passada ficou em torno de R$ 10,80. Vendemos com prejuízo. Não é à toa que pouquissímos irão se arriscar no milho, ainda mais agora com esta proposta ridícula de R$ 10,00.
Quem esta aqui, na poeira do dia a dia, longe do ar condicionado, sabe muito bem a quem interessa este acordo, mas a resposta virá em setembro, época do plantio do milho, quando os números do plantio aparecerem. Posso falar pelo município onde atua este sindicato, e a redução de área de milho será de mais de 80%, isto mesmo, 80%. Quem plantará milho a R$ 10,00, enquanto pode-se fazer contrato de soja a US$ 9,50. O homem do campo aprendeu há muito tempo a fazer contas e não confiar em promessas industriais.
Se querem nosso milho, paguem o justo, caso contrário vão buscar transgênicos na Argentina e Estados Unidos, só que o de lá custará R$ 17,00. Não seria melhor nos oferecer R$ 13,00?
Pensem bem, ainda há tempo''.
Nota: Marcelo Luiz Anizeli Favarão é engenheiro agrônomo, agricultor e presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa-PR
Arlindo O. Krezzi, de Ivaiporã: ''Como a própria Folha destacou em letras garrafais, o preço de R$ 10,00/saca foi aprovado pela indústria e acordado pelo governo, atavés do ministro Pratini de Moraes. Isso me encorajou a plantar mais milho. Não pelo preço, que é uma vergonha, mas porque a desistência vai ser tanta que quem tiver a coragem ou a teimosia de plantar, vai vender a R$ 14,00/saca, como no ano passado. Aliás eu espero vender a um preço bem maior que este. Chego a achar que muitas indústrias têm produção própria pois manifestam maior desinteresse pelo nosso produto''.
João E. Pasquim, de Nova Esperança: nota divulgada por esse jornal no dia 9 de Agosto sobre o mercado da mandioca, é verdade que os preços continuam baixos, mas quanto a liberação dos recursos por parte do governo federal, isso não ajudou muito o setor até agora, pois as libertações foram insuficientes para atender a demanda. Só em Paranavaí, para se ter uma idéia, existe hoje mais de 100 mil sacas de farinha de mandioca depositadas em armazéns credenciados aguardando verbas do AGF para serem pagos.
Quanto a melhora dos preços ao produtor, isso só será possível com o reajuste dos preços mínimos por parte do Governo Federal, pois o Governo está pagando R$ 9.72 a saca de farinha de 50 kg, e deveria pagar pelo menos R$ 13.00 a saca para que os produtores pudessem receber R$ 50.00 por tonelada, e essa será a única solução para a melhora do setor, pois a previsão do setor é que a mandioca, que está plantada, dê para as abastecer as indústrias este ano e o ano que vem inteiro. Sendo assim, se estas previsões estiverem corretas, para a melhoria do mercado, só com os reajustes dos preços mínimos por parte do governo, e a liberação de recursos por parte do governo, e a liberação de recursos de AGF em maior quantidade, pois de outra forma os produtores continuariam a ter dificuldades para comercializar sua produção, e quando conseguirem comercializar, com certeza terão muitos prejuízos.
Nota: João Eduardo Pasquini é agricultor em no ramo de mandioca em Nova Esperança. e-mail [email protected] Cidade=nova esperanca Estado=Pr.
DROPS
Milho/semana O mercado do milho termina a semana com preços estáveis e pouca oferta. ''Os preços tiveram reajustes pequenos e os produtores, em sua maioria, permanecem ausentes do mercado''. É assim que o analista da FNP, Adriano José Timossi, analisa o mercado nesta sexta-feira.
Milho/Leilão Na próxima quinta-feira, o governo realizará mais um leilão de Prêmio de Escoamento de Produto, pondo à disposição 65 mil toneladas no Mato Grosso. O preço de referência será de R$ 6,15/sc. O prêmio para o destino Norte e Nordeste será de R$ 4,48/sc, enquanto para o milho destinado aos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais (norte) será de R$ 3,59.
Milho/P.Grossa A ''cotação de compra pelos atacadistas'' em Ponta Grossa, ontem, variou entre R$ 9,00 e R$ 11,50/saca. Este índice é do Sima/Seab. Em Curitiba a variação foi menor, R$ 9,00/9,50.
Milho/Apucarana A ''cotação de compra pelos atacadistas'' no Vale do Ivai, ontem, ficou em R$ 9,50. Em Toledo, R$ 10,00; União da Vitória R$ 8,90/10,00.
Soja/Chicago Contratos de março de 2002 fecharam em alta de 3,75 centavos de dólar/bushel: US$ 5,10/bushel (27,216 kg) ou US$ 11,24/saca de 60 kg.
Motivo da Alta Especulações em torno de novas estimativas de queda na produção de soja nos Estados Unidos, que ficaria entre 73,2 a 75,6 milhões de t. - abaixo dos 78 milhões de t, projetados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, segundo o relatório de agosto.
Alta na 2 feira A semana termina em ambiente especulativo formado pelo novo número da safra americana e efeito climático adverso. Bastará uma pequena alta no dólar, segunda-feira, para o mercado puxar o preço da soja em R$ 2,00/3,00 a saca.





