Consumidor na defensiva


Em julho foram os setores têxtil e de confecções que se queixaram da falta de cumprimentos das metas de vendas para este ano. Ausência de inverno à parte, o setor disse que ''não houve liquidez na ponta consumidora'', para que as vendas fluíssem bem.

Deixando de lado o eufemismo da linguagem do setor, a verdade é que faltou salário (ou emprego) para implementar as compras.

Ontem foi a vez de um setor essencial, o de alimentos: uma fonte da Abia, que representa as indústrias alimentícias, confirmou que o setor não vai crescer dentro do previsto, entre 3,5% e 5,5% na média de todos os segmentos que congrega.

Detalhe: se há um setor que deveria crescer, mesmo em tempo de crise macroeconômica, este setor seria o de alimentos. Com o poder de compra mais curto - por culpa da recessão, medo do desemprego, etc - o brasileiro, normalmente desloca seus gastos para os alimentos. É quase uma regra geral: se o setor alimentício vai muito bem, com aumento do consumo de produtos de melhor qualidade, mais caros, é porque os setores eletroeletrônicos e de veículos não vão bem e suas vendas caíram.

Na mesma linha de racionalidade e prioridades, quando não se consegue viajar, reformar a casa, mudar a decoração do apartamento, trocar de aparelhos domésticos ou de carro, então, gasta-se mais em alimentação.

Mas, pelo jeito, este comportamento não se confirma este ano, o que denota que as pessoas estão mais preocupadas com o futuro da economia. Quando as pessoas não vêem segurança, o dinheiro não circula. É o que está acontecendo.

Ontem o setores do governo tentaram minimizar a situação. O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, por exemplo, disse não acreditar que o Brasil esteja entrando em um período de recessão. Fraga admitiu, porém, que a queda de 0,99% do PIB no segundo trimestre, divulgada na quarta-feira pelo IBGE, surpreendeu, pois o recuo foi maior do que o esperado tanto pelo BC quanto por agentes do mercado financeiro.

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