Pior que o FMI


Dissemos ontem nesta coluna que, a julgar pela análise que o ministro Malan faz do acordo com o FMI, ele mesmo, Malan, deixa entrever que a política do governo para a economia brasileira foi mais recessiva do que as próprias regras impostas pelo FMI, considerado adverso para as economias populares vocacionadas pelo crescimento econômico e distribuição de renda.

Malan acha que seria pior sem o acordo com o FMI.

Portanto, a receita da equipe econômica de FHC é pior que a receita do FMI.

Pelo menos agora o ministro admite que seu plano impôs um ritmo lento, recessivo à economia. E não só ele. Bancos e consultorias já começaram a revisar para baixo suas estimativas para o crescimento da economia em 2001, por causa do mau desempenho registrado pelo PIB no segundo trimestre. A maioria dos analistas, em estudos preliminares, passou a apostar num avanço abaixo de 2%. Mas há quem seja ainda mais pessimista, como o banco JP Morgan, que mudou sua previsão de crescimento de 1,7% para 0,7% e acredita em recessão - segundo a Agência Estado, ontem (ver matéria neste caderno de Economia).

Até agora essa constatação se limitava às pessoas que estão no dia-a-dia do consumo.

Os técnicos de fora do governo que endossavam a política de Malan, estão saindo pela tangente. Os números preocuparam os analistas não apenas por estarem muito abaixo das projeções do mercado, mas também pela perspectiva pouco animadora para o segundo semestre. Os dados do IBGE jogaram um verdadeiro balde de água fria sobre a percepção anterior de que a desaceleração da atividade no período seria, em boa parte, compensada por um resultado mais forte no primeiro semestre. ''É preciso lembrar que os dados divulgados ainda não carregam o efeito integral dos aumentos recentes das taxas de juros ou do racionamento de energia elétrica'', diz o economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate. Mas o quadro de recessão parece claro. Só para citar alguns exemplos.

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