Oswaldo Petrin
Produtores, operadores de Bolsa, compradores das indústrias e de cooperativas, enfim agentes do mercado de soja, terão hoje (às 10 horas, no Hotel Sumatra, em Londrina) uma boa oportunidade para discutir a tendência dos preços da commoditie. Este é o tema da palestra de Fábio Tringueirinho, secretário geral da Abiove, uma das pessoas que mais entendem do assunto na abertura da 23ª Reunião Nacional da Soja (matéria nesta página).
O tema não poderia ser mais oportuno: o mercado passa por momentos nebulosos sob influência especulativas de tantas variáveis que vão desde a meteorologia - por vezes interpretada com exageros -, expansão da safra brasileira, subsídio norte-americano, etc.
Aliás, Tringueirinho certamente vai tratar desse ponto. A nova lei agrícola em tramitação no Congresso norte-americano.
No momento, o Tesouro dos EUA garante um preço de US$ 193/tonelada. Mas, para quem acha que a ''Loan Price'' - que vai garantir US$ 5,26/bushel -, é um castigo para o Brasil, é bom lembrar que senadores norte-americanos pensam em elevar esse suporte para um preço meta de US$ 215/tonelada a partir da safra 2003.
Os subsídios americanos devem atingir US$ 17,5 bilhões/ano.
Tivemos oportunidade de comentar esse ''preço meta'' dias atrás. Sobre a proposta, a Casa Branca esboçou uma reação contrária, mas só de brincadeirinha. Subsídio à agricultura nos EUA é defendido pelo Legislativo, Executivo e pela Sociedade.
A conclusão que se tirar da palestra do técnico da Abiove é importante para os próximos anos. Ele não deve deixar uma mensagem pessimista, mas vai colocar pontos de reflexão.
Vai falar também de algumas preocupações dos agricultores e dirigentes americanos - que eles, aliás, não escondem - como: o baixo custo de produção
da soja brasileira; a expansão da fronteira da soja, os investimentos privados na melhoria logística, as inversões em pesquisa e produtores profissionalizados.
Contrapondo o protecionismo americano o mercado acena com oportunidades como: a) potencial demanda chinesa que precisa alimentar 1,3 bilhão de bocas, b) aumento do consumo de farelo na UE, c) produção de biodiesel estimulada pelas altas dos derivados de petróleo, d) alimentação funcional em decorrência da descoberta de novas propriedades da soja.
Enfim, é importante ouvir Trigueirinho, que é da Abiove. As indústrias filiadas à Abiove representam mais de 85% do esmagamento da soja no Brasil.





