Oswaldo Petrin
DROPS
Fim do atacado? O setor atacadista distribuidor, que no ano passado faturou R$ 38,9 bilhões, corre o risco de perder seu espaço, se cada uma das mais de 2 mil empresas do segmento não conseguirem reverter a situação criada com a globalização da economia. Para isto, tem que se antecipar à chegada da crise prevista para daqui a uns cinco anos.
Conjuntura Parte do setor custa admitir esta situação e acha que tudo não passa de crises conjunturais e, portanto, não reconhece que exista uma situação adversa localizada no próprio atacado-distribuidor. Esta é a opinião de quem ainda não vê o varejo, seu principal cliente, como um setor em mudanças. Mas, parte do segmento atacadista acha que sim, que há uma nova configuração entre indústria e comércio, estreitando o espaço do atacado.
Pelo sim/pelo não Pelo sim ou pelo não o setor vai discutir o tema - delicado - na sua Convenção Anual, que será realizada em Salvador, dias 15 e 16 de agosto. O setor pretende encarar ''de frente'' a crise que se aproxima.
Adversários Os adversários do setor atacadista são filhos da globalização. Aliás, dentro da nova realidade, parceiros e concorrentes se confundem. Aqui se encaixam grandes redes de supermercados, redes independentes de varejo e um novo varejo.
Varejo Uma coisa é certa: a dificuldade de sobrevivência do pequeno varejo, aquele que foi prejudicado pela unificação de grandes redes de super/hipermercados, afetou fortemente o setor atacadista. Outro gargalo está dentro do próprio setor distribuidor, a concorrência predatória de preços. Acrescente-se aí o crescimento da economia informal.
Desafio Um dos desafios do atacado é fazer com que a indústria reconheça que a necessidade de uma estrutura de intermediação de negócios com o varejo e que esse papel cabe ao atacado e distribuidor.
Novos tempos Sobre o assunto, o consultor de empresas Altamiro Borges, de São Paulo, recomenda: indústrias, atacado, varejo, transportadores e prestadores de serviços têm que se adaptar a um novo padrão internacional de qualidad e preço.
Dono do Armazém Na época em que ser dono de armazéns, caminhões e fábricas era a grande vantagem de uma empresa, a indústria, o atacado e o varejo tinham os seus. Era comum viagens ''batendo carroceria'' - ou transportando e armazenando vento, como diz Altamiro.
Consumidor Mas não é possível transferir o preço da ineficiência para o consumidor. E o que temos presenciado nos últimos anos - diz - é a chegada de grandes redes de verajo, competitivas.
Players Esses players já estão afetando o setor atacadista, em alguns casos de forma arrasadora. Isso porque muitas trazem consigo seus parceiros atacadistas, operadores logísticos e brokers competentes. O resultado é a drástica redução de espaços para as empresas atacadistas.





