Oswaldo Petrin
O dólar no cardápio
A alta do dólar que, este ano, tanto beneficiou as exportações brasileiras de soja, carnes e sucos, e até ajudou a inaugurar as exportações de milho, agora está tendo efeito indesejável: bateu num setor que ninguém esperava, o consumo.
Claro que a moeda norte-americana permeia toda a economia, mas, no consumo, era de se esperar que demorasse mais um pouco. Afinal, os grandes vilões dos preços no varejo são o transporte - por conta dos combustíveis - e os impostos. Ou uma condição técnica de mercado, defensável pelo menos, que é o balanço da oferta e procura.
O impacto foi detectado na primeira prévia de agosto do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Getúlio Vargas. O IPC, que compõe o Índice Geral de Preços (IGP-M), ficou em 0,93% na prévia divulgada ontem, quase o dobro da taxa em julho, de 0,45%.
Antes a pressão maior era só no atacado. Agora, chegou mais ao consumidor, pela primeira vez desde as medições anteriores, explicou Paulo Sidney de Melo Cota, da FGV, ao repórter Nilson Brandão Jr, da AE.
Juros A taxa civilizada de juros, a 12% ao ano, nunca chegou a funcionar, mas, agora está prestes a ser sepultada de vez. O projeto que retira da Constituição a taxa de juros de 12% ao ano foi aprovado ontem em comissão especial da Câmara. A mesma proposta permite que a regulamentação do sistema financeiro nacional seja feita por partes, ao contrário do que estabelece o atual texto constitucional.
É uma pena. Se mesmo constando na Constituição, as taxas nunca foram obedecidas, agora é pior. É um retrocesso. No início - logo após a Constituição de 1988 ser promulgada - muitos tomadores de crédito chegaram a entrar na Justiça contra juros acima desse percentual previsto na lei. Advogados experientes como Orlando Gomes, de Londrina, evocaram a Constituição para questionar execuções de pessoas físicas ou empresas, ou para derrubar cobranças de juros e ainda obter o ressarcimento do indébito, tirando seus constituintes da inadimplência implacável imposta por bancos.
Agora, os políticos fizeram o favor de tirar da Constituição regras básicas de organização do sistema financeiro.
LEITURA DINÂMICA
- Blue Tree inaugura luxouoso hotel em Curitiba. Empreendimento de R$ 20 milhões traz tecnologia de ponta no ramo hoteleiro.
- O Blue Tree Towers Curitiba Premium, um quatro estrelas, será inaugurado hoje, em frente à Praça Japão.
- O novo hotel é resultado da iniciativa de consórcio JHM, formado pelas empresas paranaenses Jorasa Incorporações e Multipcorp In e Empreendimentos.
- São 17 andares, 197 apartamentos, 5 apartamentos tipo suíte, um imponente lobby de 600 m2 e área construída de 13,7 mil m2.
- Segundo Chieko Aoki, presidente da Blue Tree Hotels, desde a sua concepção até a escolha de equipamentos, tudo foi pensado visando menor custo operacional e padrão de serviços.
- A rede Blue Tree administra no país 17 hotéis (4 mil apartamentos). Seu faturamento anual é de R$ 82 milhões. O grupo tem 3,1 mil empregados.
DROPS
Bolsa/Chicago A soja teve mais um dia de alta, ontem, na Bolsa de Chicago. Contratos para fechamento em agosto foram cotados a US$ 5,18/bushel (US$ 11,41/saca de 60 kg), alta de 9,50 centavos de dólar por bushel (27,216 kg). Para os meses de setembro e outubro, as altas foram decrescentes.
Paranaguá Em Paranaguá, os preços da soja chegaram a R$ 29,00/saca, um aumento de R$ 1,00/sc, quando comparado ao preço anterior. Em Paranavaí a soja foi negociada a R$ 22,80 no mercado físico, para pagamento à vista. Em Apucarana, preço máximo chegou a R$ 25,00.
Soja/P.Grossa: Em Ponta Grossa, entre R$ 23,50 e R$ 27,00. O dólar a R$ 2,4690, teve pouca influencia sobre o mercado da soja, ontem.
Soja/amanhã Nesta sexta-feira sai um novo relatório do Usda sobre a situação da safra norte-americana. Previsão é que o relatório deve ser altista. Apesar da chuva, o meio-oeste americano teve perdas significativas; o número exato, só o relatório pode apontar.
Expectativa O que diz a FNP sobre a soja: No mercado interno, os produtores estão receosos em realizar suas vendas neste período de expectativas de preços altos. Mesmo estando os preços em patamares elevados, estes não têm sido atrativo de grande peso para o mercado vendedor.
Milho/Paranavaí Preço do milho em Paranavaí, ontem, variou entre R$ 8,30 e R$ 9,00/saca. Estes preços prevaleceram na maioria dos municípios do Noroeste do Paraná. Ontem foi mais um dia muito calmo, com pouca oferta em todo o Estado
Oferta O ambiente de pouco interesse de venda do lado do produtor do grão e também de desinteresse da agroindústria é generalizado, é generalizado, informa o analista da FNP, Adriano José Timossi. Os poucos volumes comercializados referem-se às compras por parte das granjas que continuam a comprar da mão para a boca, acrescenta.
Ponta Grossa Em Ponta Grossa a Cotação de Compra Pelos Atacadistas de milho, segundo o Sima/Deral, variou entre R$ 8,50 e R$ 11,50/saca. Em Apucarana, variou entre R$ 9,00 e R$ 9,50/saca, pagamento à vista.
Sudoeste Em Pato Branco, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, preço variou entre R$ 9,50 e R$ 9,80/saca. Em Umuarama, entre R$ 8,90 e R$ 9,80. Expectativa dos produtores continua sendo a mesma: alta do produto a partir de setembro.





