O agronegócio em alta


Quando a agricultura vai bem (ou quando simplesmente aumenta a produção, o que não quer dizer, necessariamente, que o setor vá bem), os reflexos positivos são rápidos: setores imobiliário, vendas de máquinas, etc. É como agora, com os dados da Anfavea sobre o mercado de tratores. O setor distribui riqueza.
Mais importante que o momento - que pode ser tão efêmero quanto a perspectiva de bons preços -, é a manutenção do plano de financiamento para reposição das máquinas, que no Brasil estão rodando além da vida útil tecnicamente considerada. O programa é o Moderfrota, do BNDES.
A Anfavea prevê também resultados positivos nos próximos quatro anos. Ainda há uma grande demanda a ser atendida, uma vez que os investimentos necessários não foram realizados no campo na década de 90. (Ver entrevista de Pérsio Pastre, diretor da Anfavea, à Carloa Franco, da AE, nesta página).
De acordo com o Moderfrota, produtores com renda bruta anual inferior a R$ 250 mil podem fazer o financiamento para aquisição de tratores ou implementos agrícolas com juros de 8,75% ao ano, carência de até 12 meses e prazo de pagamento de seis anos para tratores e de oito anos para colheitadeiras.
Para quem tem renda anual superior ou igual a R$ 250 mil, os juros passam a 10,75% ao ano, com as mesmas condições de prazo. O limite de financiamento é de 100%, no primeiro caso, e de até 90%, no segundo caso . Para este ano, os recursos disponíveis são de R$ 900 milhões.
As exportações de máquinas agrícolas devem alcançar US$ 520 milhões este ano, ante US$ 470 milhões no ano passado. As máquinas são destinadas principalmente para os Estados Unidos e países do Mercosul.
Há um nicho de mercado no setor de plantio direto. Se as indústrias sentarem com os técnicos da pesquisa, vão ver que há espaços para novos lançamentos e redefinição dos atuais modelos de equipamentos que estão em uso. Mas isto é assunto para uma longa matéria.




LEITURA DINÂMICA

- Diferentemente do paranaense Gustavo Fruet, que saiu no prejuízo com abate sanitário das ovelhas, os pecuaristas ingleses estão levando vantagem com as indenizações da aftosa.
- A aftosa deu origem à indenizações milionárias na Inglaterra.
- Os altos custos de indenizações pagas a pecuaristas que sacrificaram animais por conta da epidemia estão criando novos ricos.
- Na imprensa internacional, eles já ganharam um nome: são os ‘‘milonários da aftosa’’.
- Segundo Departamento de Meio Ambiente e Alimentação, 37 fazendeiros pediram ao governo ‘‘compensação’’ de US$ 1,5 milhão.
- O governo já desembolsou mais de US$ 3 bilhões para pagar pecuaristas, imcompatíveis, dizem, com a quantidade de animais sacrificados.
- O Parlamento britânico decidiu investigar possíveis fraudes.




DROPS

Milho A semana começou sem grandes negócios no milho. As ofertas ocorreram apenas nas regiões de suinocultura e avicultura que operam com pequenos lotes. Os volumes negociados no Sudoeste e Oeste tiveram preços entre R$ 8,90 e R$ 9,00/saca. Mercado foi fraco também em Umuarama, Paranavaí e Maringá.
Milho/indústria Este quadro reflete o cenário da últimas semanas, uma vez que o produtor permanece afastado do mercado e as indústrias, por sua vez, não cedem aos preços fixados pelos vendedores, dando continuidade ao mercado da ‘‘mão para a boca’’, ou seja, compra do grão para abastecimento de curto prazo, conforme o analista Adriano J. Timossi, da FNP.
Ponta Grossa O melhor preço para o milho paranaense foi pago ontem em Ponta Grossa, chegando ao máximo de R$ 11,50, com variação a partir de R$ 9,00/saca. Observação: ‘‘Cotação de Compra pelos Atacadistas’’, segundo o Sima.
Milho/Nordeste As granjas nordestinas, principalmente as de Fortaleza e Recife, estão tendo problema de abastecimento. O milho importado tem um preço inviável; o nacional paga frete muito elevado.
Tendência : O mercado não tem motivo muito forte para reagir esta semana, prevêem os especialistas. A FNP admite altas regionalizadas. Preço deve aumentar à medida em que se confirma redução de área na próxima safra.
Soja Depois das incertezas e desinformações da semana passada, o mercado da soja voltou ao normal ontem. Chicago reagiu às informações de que chove muito pouco no meio-oeste dos EUA e fechou em alta de 6,75 centavos de dólar por bushel (US$ 11,00/saca de 60 Kg).
Paranaguá No mercado interno, o dólar, que fechou em baixa (R$ 2,4550), exerceu influência mais forte. O preço da soja no Porto de Paranaguá de R$ 27,50. Média estadual ontem: R$ 22,94, com preço máximo de R$ 25,00 em Maringá, e mínimo de R$ 21,30 em Jacarezinho (máximo: R$ 25,00).
Ponta Grossa Em Ponta Grossa, no mercado físico, o preço da soja variou entre R$ 23,00 e R$ 24,00. Segundo corretoras e cooperativas, as vendas antecipadas de soja também cairam fortemente.
Clima quente A FNP está apontando dois fatores de alta para os próximos dias: as previsões de clima quente nas lavouras americanas e a especulação em torno do relatório mensal do Usda sobre oferta e demanda mundial do produto.

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