Oswaldo Petrin
Liquidez no comércio
As indústrias de sementes do Paraná participam na próxima semana do Ciclo de Palestras - encontro anual que se realiza em Foz do Iguaçu - na expectativa de tirar uma posição convergente com relação ao plantio comercial de transgênicos. A maioria é favorável mas há os que relutam. Na verdade, há muitos produtores e comerciantes ainda meio perdidos, conforme define o produtor de sementes Douglas Fanchin Taques Fonseca, de Ponta Grossa. O encontro começa na próxima terça-feira e reúne todo o setor sementeiro paranaense, um setor forte, organizado e considerado pelos demais Estados como referencial de qualidade e tecnologia. A tendência é que empresários e técnicos saiam da reunião com uma posição forte pela adoção do plantio.
Quanto ao cenário econômico, o bom momento para a indústria de sementes, no limiar de uma nova safra de verão, é também um momento de esperança para o comércio em geral.
Cidades-pólo como Ponta Grossa, cuja economia se sustenta nas atividades agrícolas e industriais, principalmente agroindustriais, até não esperam milagre para este segundo semestre, mas apostam tudo num período muito positivo no próximo ano.
As razões estão na comercialização da soja e do milho cujos preços tendem a se recuperar neste semestre e entrar na nova temporada de comercialização, após fevereiro/março, vivendo uma nova e boa realidade.
Excesso de otimismo? Não. Tendência natural, na análise de Douglas Fanchin Taques, presidente da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa. Ele interpreta a expectativa do comércio, na condição de dono de revenda de carros novos. A mesma pergunta a outros líderes do comércio e da indústria - nas regiões Noroeste, Oeste e Norte - tem respostas idênticas. E mostram que a história do interior não mudou, ou seja, as cidades apostam tudo no bom desempenho da agricultura e da agroindústria. O Sudoeste não chega a ser uma exceção, mas está mais ligado à suinocultura e avicultura industriais. Já a Grande Curitiba tem economia forte embasada nos setores de serviço e industrial. A economia da capital fica acima do vaivém do setor primário.
Por que, afinal, o interior se mostra otimista?
A soja terá bom preço por conta de, pelo menos, duas variáveis determinantes: a cambial, a mais confiável, e o mercado internacional, beneficiado com as perdas na safra norte-americana. O presidente da Associação Comercial de Ponta Grossa diz ter informações suficientes para desconfiar que estão subestimando as perdas no meio-oeste dos Estados Unidos pela seca. A normalização do clima neste momento (ontem, por exemplo, voltou a chover na região), não recupera as perdas já ocorridas.
Já com relação ao milho será uma questão de oferta e procura. Fanchin critica: as indústrias compraram a matéria-prima a preço muito baixo no primeiro semestre. Se tivessem pago um preço mais justo ao produtor - repassando parte dos bons lucros que tiveram - a liquidez na agricultura e, por consequência, no comércio urbano, seria bem melhor neste momento e não precisaríamos passar por um período recessivo como têm sido os últimos meses.
Sobre o comportamento das indústrias: A verdade é que no momento em que houve grande oferta do produto, elas massacraram o agricultor.
leitura dinâmica
Segundo o presidente da Associação Comercial de Ponta Grossa, Douglas Fanchin Taques, o bom preço da soja nos últimos meses não beneficiou a grande maioria dos produtores porque os pequenos e médios já haviam vendido o produto quando o mercado reagiu.
- Portanto, a riqueza da soja não foi bem distribuída.
- Outra observação: o dinheiro circula nas cidades quando há liquidez no campo.
- O agricultor não retém o dinheiro: ele é um bom comprador, um bom consumidor.
- Quando recebe o dinheiro da colheita trata logo de adquirir bens e reinvestir na atividade, uma forma de fazer o ginheiro girar.
DROPS
Soja/Chicago O pregão de ontem da Bolsa de Chicago começou em alta influenciada pelos resultados das exportações semanais norte-americanas, que apresentou números altos, superando previsões do Usda. Mas o índice de ontem acabou fechando em baixa e inibindo o mercado interno.
Chuva No meio do pregão surgiram notícias sobre chuvas no meio-oeste dos Estados Unidos, beneficiando as lavouras em fase de formação e enchimento de grãos. A notícia foi suficiente para derrubar o mercado.
Forte queda No final queda de 15,75 centavos de dólar, a US$ 4,93 (US$ 10,87/saca de 60 Kg) para os contratos futuros com pagamento em agosto.
Ponta Grossa Em Ponta Grossa, os preços cederam até 7,1%; as vendas recuaram deixando poucas perspectivas para a sexta-feira, segundo o analista Adriano Timossi, da FNP.
Paranaguá No porto de Paranaguá, a saca da soja foi negociada a R$ 26,50/saca, queda de 7,5%. O analista, no entanto, disse que não descarta hipótese de nova alta, ainda este mês.
Milho/recuo Os produtores de milho continuam praticamente fora do mercado, na expectativa de que os preços retomem o ritmo de alta do mês passado. Veja resultado do leilão - que foi muito fraco no Paraná - na página 4.
Milho/Paranavaí No Noroeste do Estado, ontem, o milho manteve os R$ 9,00/saca ao produtor, variando a partir de R$ 8,50.
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