Enquanto a pecuária se queixa do inverno rigoroso nos últimos dias, a indústria e o comércio de calçados se queixam da ausência de frio por um período mais longo. O inverno deste ano começou tarde e não foi suficiente, até agora, para alavancar as vendas de artigos da época. É o caso do setor calçadista.
As vendas de sapatos fechados e botas estão fracas. Aliás este é um dos anos mais fracos para o segmento.
Pesquisas sobre o desempenho das vendas do setor devem apontar redução de 10% a 15% em julho, cujo relatório fica pronto na próxima semana.
O primeiro trimestre foi todo apático. Em abril, houve ligeiro crescimento e, em maio, surgiu uma pequena reação positiva. Mas junho voltou a vender pouco, em relação aos anos anteriores.
Foi o que disse ontem, ao ser entrevistado por este jornal, o empresário Antônio Miguel Espolador, coordenador da Câmara Setorial de Calçados da Associação Comercial do Paraná e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Calçado da Região Metropolitana de Curitiba e Litoral.
Para efeito de vendas de artigos da época, o inverno tem sido curto. Ao contrário do que sempre acontece, o Dia das Mães, este ano, parecia verão. Espolador cita apenas como exemplo. Ele é diretor das redes Planeta Pé e Scarpinni Calçados.
O varejo que se preza - e se aperta - não pode manter produtos de época no estoque, pensando na temporada do próximo ano. Tanto que o Sindicato já tem um plano: passado o Dia dos Pais, dia 12 de agosto, vai começar uma grande liquidação de artigos do inverno. Deve ser lá pelo dia 20, segundo Espolador.
Seguindo as regras de anos anteriores, a liquidação ‘‘não visa lucro’’, conforme Espoladore, apenas o giro da mercadoria para fazer fluxo de caixa e repor os estoques com vistas à próxima estação - no caso a primavera e verão.
O sindicato já programou um grande evento promocional com desfiles da Coleção Primavera-Verão, no dia 23 de agosto. Vai reunir num grande evento, no Jóquei Clube em Curitiba, cerca de 1,2 mil convidados - logistas, fabricantes e consumidores. Quinza grandes fábricas vão fazer demonstração de produtos inétidos. Uma tentativa de contrapor a crise e compensar um semestre que deixou a desejar.
O comércio se vira como pode e busca criatividade para reverter o quadro. Em geral reverte. A palavra crise é excluída do vocabulário promocional. Bem que se os juros fossem menores - e a economia menos engessada - o cenário seria outro. O problema da liquidez no comércio - atacado ou varejo - tem sua origem, também, na macroeconomia.

mockup