Oswaldo Petrin
O governo brasileiro continua atacando a política de subsídios à soja norte-americana. Poucas vezes foi tão incisivo como agora - ver matéria sobre pronunciamento do ministro Pratini, ontem, em Nova York. Poucas vezes, também, o governo americano acenou com a disposição de reduzir o montante de recursos destinado ao subsídio. Ainda que, como em outras ocasiões, isto não venha a acontecer.
Que a ajuda financeira distorce a competitividade da soja, ninguém tem dúvida. Resta saber se os Estados Unidos vão realmente alterar sua política de defesa da produção - como costumam dizer os agricultores -, só porque o Brasil quer.
Subsidiar a agricultura, nos Estados Unidos, não é uma decisão de governo, é um consenso da sociedade, que aprova um tratamento diferenciado para o agricultor. Trata-se de uma questão econômica, é verdade, porém sustentada por uma cultura de respeito a quem produz alimentos. Há, sim, um tratameto diferenciado pautado na idéia de premiar quem permanece no campo, por razões já discutidas neste espaço.
Se esse prêmio - expresso em subsídios, incentivos ou qualquer outro artifício - distorce a livre concorrência do mercado externo, derruba preços e mascara estatísticas de produção, para o cidadão americano é outra história.
Como diria um operador da Chicago Board of Trade, ao discutir o assunto com um grupo de jornalistas brasileiros, em março deste ano: eles (os agricultores norte-amerianos) não têm culpa se os outros (referindo-se a agricultores de outros países) não têm o apoio necessário e merecido para manter sua produção.
Se esta leitura do corretor da Bolsa representa o pensamento da sociedade, de nada vai adiantar a tentativa do sr. Allan Johnson, chefe da delegação norte-americana à OMC, esta semana, que quer ser simpático aos parceiros do mercado. Johnson defende a idéia de que o Congresso dos Estados Unidos deve reduzir os subsídios à agricultura dos atuais US$ 6,2 bilhões por ano, para US$ 5,5 bilhões.
Por outro lado, para o agricultor brasileiro, o discurso enfático do seu ministro na OMC, é bom, mas não é tudo. Eles preferem que o Brasil adote tratamento semelhante para contrapor os subsídios americanos. O que menos empolga nesta véspera de plantio da safra de verão é a coragem e a determinação do ministro brasileiro - ainda que, convenhamos, o subsídio é desleal e predatório. A lavoura prefere receber sua parte em apoio financeiro, mesmo que tal apoio não seja tão generoso quanto os dos concorrentes.
Além disso, os produtores brasileiros sabem que o combate - às vezes inglório - aos subsídios americanos não é tudo. Subsídios, e outros artifícios, também são praticados pela UE e Japão que ainda aplicam, invariavelmente, pesadas taxas aos produtos brasileiros.





