A previsão de crescimento da produção e consumo de queijo no Brasil neste ano (entre 5% e 8%) está comprometida. Embora a produção até possa manter suas metas, os setores intermediários e a ponta do consumo não vão poder acompanhar a expansão.
A maior dificuldade está no varejo. Da padaria da esquina à seção de frios dos super/hipermercados, a exposição de queijo e requeijão não combina com geladeira desligada (à noite, pelo menos) para economizar energia elétrica. A saída encontrada pelo varejo foi a mais simples: trabalhar com menor volume possível de mercadoria, literalmente da mão para a boca.
Com a política econômica ‘‘cabresto-curto’’ do governo FHC pressionando de um lado e o apagão do outro, não será desta vez que o consmo brasileiro sai de modestíssimos 3 kg per capita/ano. Longe, portanto, da média italiana de 19,5 kg per capita/ano. Ou da média mais alta do mundo, a da Grécia, de 23,9 kg/ano.
A outra dificuldade está com o consumidor pela perda de renda média nos últimos meses. A falta de reposição das perdas de salário para dezenas de categorias não afetou apenas os lácteos, mas carnes e outros produtos. Setores que cresceram é porque se beneficiaram com o deslocamento de consumo, fruto da adequação do orçamento doméstico. Não sinalizam ganho - mas perdas - do poder aquisitivo. Isto ocorre muito com as massas. O macarrão barato e prático substitui o feijão, mais caro e pouco prático no preparo.
Se repetir os números do ano passado - sem incluir, por exemplo, o natural aumento vegetativo - o consumo de queijo no Brasil deve fechar o ano em 455 mil toneladas do produto nacional mais as 16 mil toneladas de importados - maior parte da Argentina. Inclui-se o requeijão cremoso. A produção, por via das dúvidas, deve ficar, na melhor das hipóteses, em 3% dessa estimativa.
Detalhe: esses números referem-se à estatística das 492 fábricas registradas no Serviço de Inspeção Federal. Dizem que as queijarias de fundo de quintal ocupam entre 12% e 18% do mercado. Em algumas regiões bem mais do que isto. Funciona mais ou menos como o leite e a carne: tudo depende do populismo do prefeito.
Dirceu Torres, secretário-geral da Associação Brasileira da Indústria do Queijo (Abiq), do alto dos seus 60 anos no ramo lácteo não arrisca um número sobre oferta e consumo da informalidade. Não são confiáveis e, além disso, polêmicos.
Dos 50 tipos de queijo, incluindo requeijão, o consumo é puxado (30%) pela tipo mussarela, na pizza e sanduíches, seguido do prato (20%) e do minas frescal (15%).
Embora frustradas as estimativas de crescimento, o faturamento do setor industrial, porém, deve chegar a R$ 2,4 bilhões, mais de 10% acima do ano passado.

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