Não tendo que decidir sob a turbulência do início da semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ontem elevar a projeção dos juros básicos de 18,25% para 19% ao ano.
O remédio é menos amargo do que o esperado. Mas é remédio. E é amargo pois mantém a economia recessiva. Tudo isso para evitar a inflação, algo que o Copom justifica com o seguinte recurso da semântica eufemista: ‘‘A alta dos juros visa evitar a propagação do realinhamento de preços resultante dos recentes choques e assegurar a convergência da inflação à trajetória de suas metas’’
Por falar em recessão, um estudo preparado pela Secretaria de Assuntos Fiscais do Bndes mostra que a carga tributária brasileira, incluindo todos os impostos e contribuições arrecadados pela União e Estados, aumentou 50% nos últimos 12 anos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em março de 1989, a carga tributária correspondia a 20,9% do PIB, considerando-se a arrecadação de doze meses. A carga tributária de doze meses encerrados em março deste ano passou para 30,32%.
Embora o bolo tributário em doze meses, de acordo com o estudo, tenha aumentado de R$ 212,120 bilhões em março de 1989, passado para R$ 274,702 bilhões em março de 1995 e alcançado R$ 348,745 bilhões em março de 2001, não houve praticamente alteração na fatia da União e dos Estados. (AE Nélia Marquez, ontem). Em 1989 a fatia da União no bolo tributário correspondia a 73,8% do total, enquanto que a dos Estados era de 26,2%. Em março de 2001, a União entrava no bolo com 73% e os Estados com 27%. Durante este período, a participação da União variou de 71% a 74,3%, Já a participação dos Estados, que atingiu o pico de 28,8% em março de 1997, começou a cair chegando a 25,7% em março de 2000. Em março de 2001 a participação dos Estados voltou a crescer, chegando a 27%.

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