Ao contrário do que sugeria o quadro no início da semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem, hoje, mais razões para deixar os juros com a atual taxa, 18,25% ao ano, do que para puxar o percentual para cima, defensivamente, e empurrar a economia para uma recessão ainda mais forte.
O recuo do dólar comercial ontem é motivo suficiente, embora hajam outras variáveis externas como a crise na Argentina e a recessão norte-americana, ainda mal-resolvida. Para a postura conservadora - e medrosa - da equipe econômica o cenário ainda justifica a adoção dos juros defensivos. Mas, para os agentes econômicos o quadro mudou muito nas últimas horas.
Há uma preocupação de que os juros comprometam a atividade produtiva sim. Ontem, cooperativas e produtores não comemoraram a (mais uma) alta da soja, temendo que os juros básicos - a serem anunciados hoje - lhes surpreendam como uma ducha gelada.
Especialistas também concordam que as projeções dos juros futuros perderam força às vésperas da decisão do Copom sobre o rumo da taxa básica do país.
No pregão da BM&F, a taxa do contrato mais negociado, com prazo em outubro, recuou para 23,88% anuais. Na última sexta, a taxa no mesmo contrato DI (que considera os juros interbancários) fechou acima de 26% ao ano.
A trégua no mercado argentino, com a sinalização de apoio da oposição ao plano de ajuste fiscal do governo, influenciou a queda das taxas. Mas - segundo a Agência Folha, ontem à noite - a expectativa do mercado para a taxa básica ainda é de alta expressiva. Infelizmente.
No contrato de prazo em agosto, que melhor reflete as apostas do mercado para a decisão do Copom a ser anunciada amanhã à noite, a taxa ficou em 21,13% anuais. A Selic está em 18,25% ao ano.
O número de contratos DI negociados hoje na BM&F cresceu 23%, ficando em 153 mil. Na Bolsa paulista, o dia foi de recuperação. A trégua dada pela Argentina ajudou a dar fôlego ao Ibovespa -índice que reflete o comportamento dos 56 principais papéis-, que fechou com alta de 2,58%.
O economista Roberto Padovani, da Tendências Consultoria Integrada, disse ontem à Agência Estado, acreditar numa alta de 1,5 ponto, sem viés. Segundo ele, como a indefinição na Argentina deve continuar por mais tempo, o câmbio pode ficar pressionado, na casa de R$ 2,50. ‘‘E um dólar a R$ 2,50 é incompatível com o cumprimento da meta inflacionária deste ano.’’

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