Oswaldo Petrin
Nunca uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi cercada de tanta expectativa (pessimista) como a que começa hoje. Todos os agentes econômicos do consumidor ao grande investidor - mas principalmente o comércio e a indústria - temem que o colegiado do Banco Central adote novo aumento nas taxas de juros básicos.
Se isso ocorrer, a atividade produtiva do País, em declínio desde o início do ano, deve sofrer outro impacto.
O risco é iminente pois a equipe econômica do atual governo sempre fez opção preferencial por medidas mais segura (segura no sentido de reduzir os riscos do plano econômico) e simplistas, ainda que as atividades produtivas saiam mais debilitadas.
Ontem a Agência Estado divulgou pesquisa da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) revelando que, em junho, as vendas da indústria de aparelhos de imagem, de som e de eletroportáteis para o varejo ficou 30,83% abaixo do mesmo período de 2000. A maior retração ocorreu nos eletroportáteis (39,73%), seguida pela linha de imagem e som (19,79%). Se a situação atual perdurar, as indústrias poderão voltar a ter prejuízo neste ano, prevê o presidente da Eletros, Paulo Saab.
Aqui no interior, há várias semanas, no setor de agronegócios, os agentes de vendas de insumos vêm se queixando da relutância dos agricultores e suas cooperativas em aumentar a demanda desses fatores de produção, em que pese o cenário positivo no mercado interno e externo.
Números da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que as consultas para vendas a prazo (SCPC) caíram 8,9% entre os dias 1.º e 15 deste mês na comparação com igual período do ano passado. O resultado, que espelha especialmente as vendas de bens duráveis como eletrodomésticos, confirma a tendência de retração esboçada em junho.





