Oswaldo Petrin
Se depender da opinião dos economistas, o Comitê de Política Monetária (Copom) não mexe nas taxas de juros básicos, na sua próxima reunião, dias 17 e 18, na próxima semana. Nos últimos dias têm sido frequentes depoimentos dos técnicos apontando a inconveniência do aumento das taxas, para administrar o câmbio. Delfim Neto e Langoni, ex-ministro e ex-presidente do Banco Central, foram alguns dos que se mostraram contrários.
Ontem foi a vez do professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP) e vice-presidente Financeiro do Banco Nossa Caixa, Joaquim Elói Cirne de Toledo. Segundo ele o governo não deve aumentar as taxas de juros para conter a alta do dólar. O economista diz que a saída para as turbulências pelas quais a economia está passando é deixar que o mercado de câmbio se equilibre. A consequência desse ajuste natural será o aumento das exportações e o incremento no processo de substituições de importações que, a médio prazo, trará mais divisas para o País. Com isso, o ritmo de crescimento do déficit externo, a razão fundamental que fez com que o câmbio disparasse, deverá recuar.
Não tem lógica pedir taxas mais elevadas numa economia em que os juros já são escandalosos, diz Toledo - em depoimento à repórter Márcia de Chiara, da AE). Ele explica que, ao aumentar os juros, a dívida pública cresce e o ritmo de atividade da economia real se retrai com reflexos na arrecadação, dando origem a outros problemas. Para Toledo, o câmbio elevado não se trata de um problema. O aumento do câmbio é uma solução natural. Ele compara a disparada da moeda americana à ação dos anticorpos, quando o organismo humano tem uma infecção. A infecção neste caso, segundo ele, é o grande passivo externo líquido que faz com que o País necessite de divisas para fechar as suas contas externas. Se o câmbio precisa subir, o que for feito para segurá-lo será transitório. O melhor é deixar que ele suba, ressalta o economista.
O nível atual do câmbio é tão favorável à exportação que poderiam ser cortados os subsídios para essa atividade. Apesar de defender que a saída é aumento da exportação, ele admite que leva tempo para o resultado aparecer.





