Oswaldo Petrin
O governo brasileiro faz um discurso para agradar os empresários e produtores, mas pratica outro tipo de política. Está perdendo uma boa oportunidade para alterar a alíquota de importação do trigo argentino e beneficiar o trigo brasileiro. Mas, apesar da iminente guerra comercial com a Argentina, tem-se como certo que o governo não fará nenhuma ação neste sentido.
Ainda ontem o Ministério da Agricultura se manifestou contra qualquer alteração na alíquota de importação do trigo como forma de retaliação à decisão argentina de reduzir a taxação sobre produtos de informática e eletrônicos, prejudicando a indústria brasileira.
A explicação para isto é que seria impossível suspender as compras de trigo argentino porque praticamente todo o produto que o País importa para complementar o abastecimento interno vem do vizinho.
Ora isto todos sabem. Ninguém quer a suspensão do trigo argentino, mas, pelo menos que se adotassem medidas que, indiretamente, poderiam beneficar o trigo nacional. (Já que as medidas de incentivo ao trigo não saíram dos discursos).
Segundo esses técnicos, o Brasil poderia reduzir o imposto de importação para produtos como arroz, lácteos, vinhos, carne (desossada) e frutas, procedentes de países que não integram o Mercosul .
Na avaliação do Ministério da Agricultura, no entanto, dificilmente o governo brasileiro adotará abertamente qualquer medida restritiva na área comercial com a Argentina nesse momento. A razão básica é a de que o parceiro comercial enfrenta uma grave crise, onde há inclusive risco institucional. É ótimo para a Argentina criar problemas com o Brasil nesse momento. Mas não podemos correr o risco de sermos responsabilizados pelo agravamento da situação de nosso vizinho, alerta um assessor próximo ao ministro Pratini. (entrevista a Gecy Belmonte, da Agência Estado).
Outra consideração que vem sendo feita leva em conta as relações comerciais do País com os dois países. No caso canadense há a disputa sem solução envolvendo a venda de aviões da Embraer e o Brasil reclama da promessa não cumprida pelos Estados Unidos de abrir seu mercado à carne nacional.





