Predro L.F. de Carvalho , de Ivaiporã: ‘‘O governo nos deu esta semana uma pista importante do que o país quer com a agricultura na próxima safra, que começa a ser planejada agora. O plano de safra, anunciando pelo presidente, serve de balizamento para os agricultores saberem o que fazer da vida. Houve época em que nem essa sinalização tivemos.
‘‘Só não entendo a razão de tanta euforia, claro que vivemos do otimismo, e que a grandeza desse País, não nos dá motivo para sermos derrotistas - apesar dos políticos. Daí a cantar vitória, acho precipitado.
‘‘O presidente da cooperativa da qual sou fialiado elogiou o plano como se fosse a salvação da lavoura.
‘‘Vamos com calma minha gente!. Lí nos jornais que grandes lideranças da agricultura brasileira aprovam o pacote agrícola.
‘‘Prefiro ficar com a opinião da Folha, nessa coluna, que alertou para a ‘‘dolarização’’ dos insumos e, portanto, para os altos custos de produção que vêm aí.
‘‘Por falar em dólar, quero que me corrijam se estiver errado: em 12 meses nossa moeda se desvalorizou perante o dólar cerca de 30%. Agora, se os financiamentos cobrem custos, e boa parte dos custos é composta de insumos que têm componentes importados, por aí já se conclui que o aumento real no volume de financiamento não é nenhuma fortuna. No dia seguinte ao anúncio deparei-me com declarações de lideranças que colocam como ponto positivo o aumento dos recursos para a soja e o milho. Ora, são exatamente os produtos carro-chefes que precisam ser competitivos e dependem de componentes importados. Exatamente os produtos que mais recebem benesses dos seus países de origem como Estados Unidos.
‘‘Vejo muita gente embarcando no calor do entusiasmo dos políticos. O governo atual do senhor Fernando Henrique Cardoso precisa de um fato para reverter sua descrebilidade. E nós, vamos fazer quorum a está previsão de 100 milhões de toneladas, cujo excedente vai cair sobre nossas cabeças na hora de vender? Não, vamos ver, primeiro, qual será a nossa fatia.
‘‘Claro que - de novo - temos que plantar, colaborar e acreditar. Afinal, o nosso negócio é produzir e para isso só precisamos de dois pontos de apoio: crédito (que parece que finalmente vamos ter) e preços. E que São Pedro não nos ajude e que o governo não nos atrapalhe lá na frente, na hora da colheita. Que na hora de entrar no mercado não ocorra como foi com o milho, no começo deste ano. O governo tinha que entrar comprando em dezembro ou no mais tardar em janeiro (afinal, não foi em dezembro que os preços desabaram?), mas medidas de apoio (foram várias, é bom reconhecer isto) só vieram depois de março. Muita gente já tinha vendido a produção.
‘‘Então, por que ignorar essas realidades e dificuldades?. É preciso reconhecer, contudo, que houve boa vontade do governo, que devemos acreditar, que nunca um anúncio de safra foi tão amplo, com tanta antecedência, o que é bom para se pensar e repensar em cima desse ou daquele produto. Mas, coloquemos os pés no chão: o dinheiro ainda não está na agência mais próxima do Bacno do Brasil. E tudo não passa de promessas. Na hora de ir ao banco pode não haver recursos. O governo atual já fez isto pelo menos nas duas últimas safras.
Izidoro C. Bianco , de Paranavaí: ‘‘O novo plano do governo para a agricultura contempla as propriedades que se atiram a fazer a recuperação dos pastos, no nosso caso, a integração agricultura e pecuária. Através da rubrica Propasto, dentro do novo plano de safra. Resta saber se o Paraná vai ser beneficiado com esse crédito especial. Os dados disponíveis na imprensa não fazem referência ao Estado do Paraná.

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