O mercado de commodities fica definitivamente por conta do descontrole cambial, o que é bom para quem exporta. No entanto, para uma safra que começa a contratrar insumos - que contêm muitos componentes importados - o custo de produção já preocupa. Pode ocorrer, de novo, a renúncia ao uso de fatores de produção refletindo na produtividade.
O Banco Central perdeu ontem a batalha para conter a disparada do dólar. Depois de anunciar pela manhã a liberação de US$ 6 bilhões para o mercado de câmbio até dezembro deste ano, interveio nos negócios vendendo dólares enquanto a maioria dos operadores ‘‘nem percebeu’’ a atuação.
Mesmo assim, a moeda norte-americana terminou a quinta-feira em alta firme de 1,93%, cotada a R$ 2,465 para compra e R$ 2,470 para venda.
Cada vez mais a cotação da moeda norte-americana se aproxima do patamar de R$ 2,50, com que trabalha grande parte das empresas e do mercado financeiro.
A atuação do BC comprovou o que Luiz Fernando Figueiredo, diretor de Política Monetária, disse no início da tarde de ontem: as intervenções serão frequentes, quase totalmente lineares (aproximadamente no mesmo valor), podendo ser até diárias.
Porém, não foi desta maneira que o mercado de câmbio assimilou a notícia. Imediatamente após o anúncio dos US$ 6 bilhões, o dólar comercial despencou 1,65%, para R$ 2,383. Mas, o mercado esperava mais.
A sede por dólares foi tamanha que pesou mais a parte do anúncio de Figueiredo que afirmava: o volume de US$ 6 bilhões não mudará nem mesmo com melhora na situação, por exemplo, da Argentina.
Para analistas da corretora Planner, a disparada do dólar comercial ontem não foi espécie de ‘‘provocação’’ do mercado ao BC na tentativa de a instituição liberar um montante expressivo de dólares. (Agência Folha).

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