Oswaldo Petrin
O presidente FHC estufa o peito e dá a boa notícia aos agricultores, em pronunciamento pela tevê ao anunciar o plano de safra - a safra de verão que começa após setembro e vai até março/abril.
O Tesouro irá destinar R$ 14,7 bilhões à agricultura e pecuária. (matéria na primeira página deste caderno). Considerando os retornos dos empréstimos e a reaplicação desses recursos, no entanto, o total de dinheiro destinado ao setor agrícola poderá chegar a R$ 16,6 bilhões, explicou o presidente.
Há pontos positivos, difícil é acreditar que o todo o anunciado será colocado em prática.
Um ponto, por exemplo, são os juros: apesar do recente aumento dos juros básicos pelo Copom (18,25% ao ano) as taxas para o crédito anunciado não mudam em relação ao ano passado. Serão mantidas em 8,75% ao ano. Isto é natural e justo, o que muda é que o Tesouro vai ter que dispender mais dinheiro para equalizar as taxas.
O crédito, da forma como foi anunciado, suscita dúvidas:
1) O anúncio desse montante de crédito (34% a mais que no ano passado) inclui a parcela de 25% dos depósitos à vista, que os bancos são obrigados a aplicar na agricultura.
É a lei da exibilidade, que sugere desconfiança.
Esta regra os bancos nunca obedeceram. Tanto que o grande agente de financiamento da agricultura, apesar dos parcos recursos, tem sido o Banco do Brasil, quese solitário, e os bancos estaduais, em parcela bem menor. Bancos em geral fogem da aplicação na agricultura. A não ser que o Banco Central negocie e faça cumprir a lei.
2) Nesses valores anunciados falta clareza com relaçao ao que é dinheiro novo ou se estão incluídas aí dívidas em andamento, caso do Pesa e outros formas de renegociação de dívidas.
3) O plano está sendo anunciado em boa hora, com boa antecedência, facilitando o planejamento da safra e a compra - sem afogadilho - dos insumos necessários. Resta saber se a primeira parcela também vai ser liberada com igual antecedência.
Com relação à previsão de 100 milhões de t, é válida como discurso. Porém, um governo que exaure a produção com impostos e custo Brasil, não deve ficar à vontade para projetar aumento da produção.





