O Mercosul vai propor à União Européia (UE) que seja estudada uma fórmula de eliminar as distorções que os subsídios oferecidos aos agricultores europeus causam no comércio desse setor. Os negociadores sul americanos pediram aos europeus um relatório sobre todas as proteções e incentivos dos itens mais importantes da pauta comercial entre as duas regiões. O problema, de acordo com negociadores brasileiros, é que nem os europeus sabem dizer qual o nível real de proteção que oferecem, informa a repórter Cláudia Dianni, enviada especial da Agência Estado a Montevidéu.
De acordo com diplomatas brasileiros, os diferentes benefícios que os produtores europeus recebem tornam a discussão pouco transparente. Isso porque é difícil estabelecer o que tornaria o mercado deles mais acessível. A UE poderia baixar a tarifa de um produto, mas os subsídios ainda o manteriam artificialmente mais competivo do que o similar do Mercosul.
Por exemplo, o Brasil é o produtor de açúcar mais competitivo do mundo e esse é o produto mais protegido na Europa. Além de estabelecer uma quota para a importação do produto, os europeus aplicam uma tarifas de importação que chegam a 73%. Os produtores ainda recebem subsídios para produzir, exportar e estocar. A UE também paga pelo produto preços acima dos praticados pelo mercado internacional, quando o preço cai. Há produtos que, para entar na Europa, além de tarifas ainda pagam um valor fixo por tonelada.
O que o Mercosul propõe é converter todos esses benefícios em tarifas, mesmo que elas sejam muito elevadas. A idéia é ter noção do tamanho da proteção para poder negociar em condição de igualdade. ‘‘Fica muito difícil negociar assim, porque você pensa que cada parte está oferecendo um nível de abertura equivalente, quando não é verdade’’, disse um negociador brasileiro. Mesmo assim, os subsídios à produção e para garantir preços, aqueles destinados a manter a renda no campo, estariam fora, já que a UE só aceita discutir esses assuntos na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na opinião de diplomatas sul americanos, a pressa da UE em negociar com o Mercosul está relacionada à ofensiva dos Estados Unidos para ganhar mercado nas economias latino americanas, por meio da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). No governo brasileiro afirma-se que, na verdade, o que os europeus querem é armar o circo da negociação para poder acelerar quando a Alca avançar de fato. Mas, por enquanto, todos países desenvolvidos estão de mãos amarradas.

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