Oswaldo Petrin
Marcelo L. A. Favarão, de Campina da Lagoa: Discordo da matéria publicada ontem nesse jornal, que diz que a safrinha saiu valorizada do fórum Valorização da Produção de Grãos Oleaginosos no Mercosul, realizado, em Londrina, esta semana. Pergunto: Como pode isso acontecer, se os produtores recebem um valor ridículo pelo seu milho, se não têm um seguro decente, se não têm financiamento para produzir. Baseado nessa realidade, conclui-se que é no mínimo tendenciosa esta afirmação. A quem interessa o plantio da safrinha? Aos grandes compradores de milho, que a usam como desculpa para achatarem os preços pagos, já que formam um cartel e estão bem organizados. Usam a safrinha como pretexto para baixarem o preço, afirmando que a área plantada aumentou e que a safra será maior. Quando acontece um problema como as geadas que atingiram as lavouras semana passada, dizem que os prejuízos foram insignificantes.
Simplificando: mentem para manter sua lucratividade. As geadas afetaram e muito a safrinha paranaense. Não se iludam com afirmações de que o preço do milho vai explodir, que o agricultor vai ganhar muito. Não vai! Sou plantador de milho ha muito tempo, e a safrinha só piorou o mercado. Hoje se colhe milho de janeiro até setembro, existe milho novo todos os meses. A vocação agrícola do Paraná é o trigo.
Temos que pressionar nossos governantes a estabelecer uma política que dê oportunidades ao agricultor brasileiro, não ao argentino. Hoje o importador de trigo compra trigo dos hermanos com mais de um ano de prazo para pagamento, com juros de país desenvolvido. Por que ele iria comprar o trigo nacional e pagar à vista. Repito: a quem interessa o plantio de safrinha? Ao agricultor, que tem um custo de 130 sacas por alqueire, ou ao setor da avicultura, suinocultura e afins? Pensem nisso.
Nota: Marcelo Luiz Anizeli Favarão é engenheiro agrônomo e presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão) e membro da Comissão de Grãos da Faep.
Flávio O. Santos, Fanorpi/Santo Antônio da Plantina: Os comentários referentes aos preços dos alimentos das cestas básicas, informam, no final do seu artigo, que os preços das cidades do interior estão, em geral mais altos do que os preços de Curitiba. Há um erro nessa afirmativa como mostram os números do próprio artigo. Na realidade, na maioria dos casos, dos municípios pesquisados, Santo Antônio da Platina tem preços mais altos que Londrina, que, por sua vez, tem preços mais baratos (e não mais caros como foi publicado) do que Curitiba, para os mesmos itens.
Outrossim, vale ressaltar que o importante para o consumidor é não deixar de fazer pesquisas de preços, não só pela economia em que é visível a diferença no preço final, como, também, para pressionar os supermercados com relação às variações e remarcações. As comparações de preços são um hábito salutar. Seria ainda melhor se o consumidor exigisse a devolução do dinheiro toda vez que os preços estão acima dos valores anunciados, ou acima do da concorrência, para igual item, se o enunciando é de que o estabelecimento tem o menor preço da praça.
Nota: O professor Flávio Oliveira dos Santos, da Fanorpi, vem coordenando pesquisa de acompanhamento dos preços dos alimentos básicos nos supermercados.
Júlio C. S. Santos, de Cascavel: Começou a temporada de anúncios de grandes safras. São recordes e mais recordes, nos jornais, onde o papel aceita tudo, ou na fala dos políticos. A Folha tem tido a decência de contestar esses números em safras anteriores. Mas perdeu a oportunidade de fazê-lo da última vez que sua coluna abordou o assunto (21 junho). E ainda achou que os números eram modestos (A safra, sem pretensão). Para nós produtores, porém, os anúncios festivos, que nem sempre se concretizam, continuam conspirando contra os preços justos e jogando o mercado ladeira abaixo.





