Todo noticiário econômico, hoje, em torno do relatório (‘‘ata’’) do Comitê de Política Monetária (Copom) referente à decisão da semana passada, quando os juros básicos subiram de 16,75% para 18,25% anuais - aponta para a desaceleração das atividades econômicas, através de um esforço de linguagem dissimulada. Assim, o relatório informa que ‘‘as expectativas atuais, influenciadas pelo programa de racionamento de energia, indica um reforço das expectativas de arrefecimento da expansão econômica nos próximos meses’’.
Tanto eufemismo só confirma aquilo que os indicadores econômicos, na prática, vêm revelando há meses, independente da crise energética. Os indicadores (econõmicos e sociais) mostram com clareza que a economia está enfrentando forte crise recessiva; agora com indícios fortes de aumento da inflação, o que é pior, pois uma das origens e a varíavel cambial, de difícil contorno.
O relatório deixa entrever que o governo está perdendo o controle da estabilidade econômica - se é que a economia se manteve estável nos últimos 10 meses, pelo menos. Diz o relatório do Copom: ‘‘Esse comportamento deve ser atribuído ao próprio patamar produtivo bastante elevado, ao aumento da inadimplência e das taxas de juros, bem como aos efeitos do cenário político interno e da conjuntura econômica internacional desfavoráveis’’.
Na verdade, a crise em que mergulha a economia neste momento é muito mais do que isto. Decorre do desaquecimento da atividade produtiva há meses, porque o governo FHC teme que a liquidez no comércio se transforme em instrumento de inflação. A demanda é fator de inflação. O consumo é fator de inflação. Por conta disso, inibe todos os fatores potenciais de distribuição de renda que transpareça no poder aquisitivo.
Está certo que a crise cambial é agravante. Mas, desde a metade do plano para frente a equipe econômica só jogou na defensiva, manteve a economia com o freio de mão puxado. Agora não tem como reagir e precisa eleger um motivo forte: o câmbio sem dúvida é um deles.

LEITURA DINÂMICA

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