-Amanhã será lançado o crédito rotativo do Banco do Brasil, uma nova modalidade de crédito no âmbito do Pronaf. O presidente Fernando Henrique Cardoso informou ontem, em seu programa de rádio ‘‘Palavra do Presidente’’, que basta que o pequeno produtor trabalhe com a família, tenha no máximo dois empregados permanentes e que 80% de sua renda saiam da terra. É só ele dirigir-se a uma agência do Banco do Brasil e apresentar uma proposta, explicando como vai usar o dinheiro, que o banco analisa e libera empréstimo no valor de até R$ 5 mil.
-Não se sabe o que o produtor consegue fazer com esta ‘‘fortuna’’, mas para muitos vai ‘‘cair do céu’’ porque soluciona problemas imediatos, de giro, para não dizer problemas de sobrevivência, pois vai suprir a dispensa doméstica.
-Fernando Henrique esclareceu que a diferença desse novo sistema para o tradicional é que, pelo Pronaf, o financiamento é para uma safra específica, de feijão, por exemplo. E pelo crédito rotativo, fica na conta do produtor e pode ser sacado na medida em que for necessitado. Com isso, o pequeno produtor só paga juros sobre o dinheiro que usar, e este juro é de 6,5% ao ano.
-O crédito rotativo tem validade de dois anos, mas pode ser renovado automaticamente enquanto for de interesse do agricultor. O presidente disse esperar que, além do Banco do Brasil, também outros bancos adotem o crédito rotativo.
- Trigo Os problemas climáticos que estão afetando o plantio da safra de trigo argentina poderão ter reflexos nos preços do produto no Brasil. O alerta é do analista do mercado de trigo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Paulo Magno, que considera o cenário ‘‘preocupante’’. Magno lembra que, apesar da queda dos preços do trigo no mercado internacional nos últimos meses, já há um processo de elevação dos preços do produto, revelado por uma alta de 13% nas cotações futuras da bolsa de Kansas City em julho último.
-Principal fornecedor de trigo para o Brasil, atendendo a mais de 60% das importações brasileiras, a Argentina deverá reduzir sua produção nesta safra de 15,8 milhões de toneladas para 13,5 milhões, segundo as previsões oficiais. Mas de acordo com o analista da Conab, a iniciativa privada e agentes de mercado estão prevendo uma produção menor, entre 12,5 milhões e 13 milhões de toneladas. ‘‘Os argentinos não estão conseguindo plantar por causa da seca em algumas regiões e excesso de umidade em outras’’, diz ele.
-As variações climáticas estão sendo atribuídas ao fenômeno ‘‘El Ni¤o’’, que deverá se manifestar mais intensamente no final do ano, podendo prejudicar também a colheita de trigo no Sul do Brasil. Magno observa que não deverá ocorrer aumento dos derivados de trigo para o consumidor, pois alguns preços, como o do ‘‘pãozinho’’, já estão extremamente elevados. ‘‘A venda do pão a R$ 0,12 dá uma margem de lucro elevada para a panificação’’, afirma o especialista.Preços

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