Oswaldo Petrin
Em março deste ano, em Dekalb, entrevistei agricultores norte-americanos (membros de uma associação local) e pelo menos um deles mostrava que a última safra lhe teria dado prejuízos se o Tesouro dos EUA não tivesse creditado diretamente na sua conta, valor equivalente ao diferencial de perdas na comercialização do milho (poderia ser soja). A reportagem incluia uma explicação dos parâmetros utilizados pelo governo para determinar o que se considera prejuízo.
A política de subsídio à produção (não com esse nome, é claro) é assumida pelo governo e referendada pela sociedade americana.
E, portanto, haveria de continuar. Eles é que estão certos. Os EUA respeitam quem produz.
Para comprovar, que os subsídios continuam nos EUA, está aí a notícia: ontem, a Câmara de Representantes aprovou uma lei que prevê mais US$ 5,5 bilhões de auxílio aos produtores por causa da depressão nos preços das commodities. Mas os apoiadores da causa dizem que o valor não é suficiente.
Este é o quarto ano que o governo garante ajuda emergencial multibilionária para os fazendeiros norte-americanos. Tudo começou em 1998 para compensar a depressão nos preços.
O dobro dessa quantia seria utilizado facilmente, disse o republicano Charles Stenholm, do Texas, falando a democratas no comitê de agricultura da câmara. Isso é tudo que nós podemos autorizar no momento. (AE-Dow Jones).
A Câmara enviou a medida para votação no Senado, e os autores do projeto esperam ter um pacote para enviar à Casa Branca antes do recesso parlamentar de agosto.
O auxílio, em forma de pagamentos suplementares a serem feitos dentro de um programa existente de transição de mercado, deve ser distribuído aos produtores antes do dia 30 de setembro.
A lei prevê US$ 4,6 bilhões em pagamentos para produtores de grãos e outros US$ 900 milhões para produtores de outras culturas, como soja, amendoim, hortifrutícolas e tabaco.
O presidente do comitê de agricultura da Câmara dos Representantes, o republicano Larry Combest, e outros co-autores da lei, esperavam pelo menos US$ 1 bilhão a mais, mas seus esforços falharam em meio à resistência da administração Bush.
Combest disse que continuaria a pressionar por mais ajuda, à medida enquanto a lei está em tramitação, durante o mês de julho.
Temos esperança de que mais dólares serão acrescentados à lei, disse o republicano Jerry Moran, do Kansas. O orçamento adotado pelo congresso chegou ao teto de US$ 5,5 bilhões em subsídio agrícola e funcionários de alto escalão da administração Bush disseram que recomendarão um veto se uma quantia maior for aprovada. Uma nota da Casa Branca divulgada hoje disse que a lei é a máxima quantia que a administração vê como ap ropriada para o ano fiscal de 2001.
O congresso poderia aumentar o subsídio agrícola quando os autores da lei decidirem, no final deste ano, se manterão ou mudarão o atual programa agrícola de orientação para o livre mercado, que expira em 2002. No entanto, alguns membros entendem que seria tarde demais para muitos fazendeiros.





