Uma pesquisa sobre as variações dos preços da cesta básica - grupo de alimentos - revela que o varejo não segue uma lógica de mercado e que os preços praticados pelas grandes redes de super/hipermercados não são, necessariamente, mais baixos do que aquele varejo do empório da esquina, aparentemente sem poder de barganha ao negociar com fornecedores. Há pelo menos três contradições:
1) Os hipermercados ou os grandes supermercados são realmente os que têm os preços mais baixos para o consumidor. Certo ou errado? Errado. Nem todos os itens têm menor preço nas grandes redes de varejo.
2) Os supermercados localizados no centro das cidades vendem mais barato que os dos bairros. Certo, ou errado? Errado. Há itens mais baratos nos supermercados da periferia em relação aos do centro.
3) Os preços das capitais são, em geral, mais baixos que os das cidades do interior. Certo ou errado?. Errado. A idéia de que nas capitais os preços são menores - porque lá encontram-se as grandes redes de varejo - não é, necessariamente, verdadeira.
A lógica não prevalece no varejo. Pelo menos em duas cidades, Londrina e Santo Antônio da Platina, segundo acompanhamento das variações da cesta básica, que vem sendo feito por Flávio Oliveira dos Santos, técnico de pesquisas em economia na Faculdade do Norte Pioneiro e mestrando em economia pela Universidade de Brasília.
Em Londrina, a cesta básica, com 13 itens, para uma pessoa, ficou em R$ 105,02 em maio. Em Curitiba, no mesmo mês, a cesta ficou em R$ 123,06, variação negativa de -0,57% em relação a abril. Em Santo Antônio da Platina, a cesta básica de maio ficou em R$ 105,12 (R$ 109,95 em abril), ou -4,4%.
A deflação maio/junho, em Santo Antônio da Plantina, foi maior do que a deflação, no mesmo mês, em Curitiba.
Pelo menos nesse estudo - o projeto está em fase inicial -, o supermercado dos bairros de Londrina apresentou preço médio 6,55% inferior aos preços médios do maior supermercado de bairro.
Mas aí vem a explicação: o supermercado (da periferia) pesquisado pertence a uma associação de supermercados que administra compras em grupo.
A cesta básica foi instituída pela lei 399, de 1938. De lá para cá sofreu modificações de critério, mas manteve praticamente os mesmos produtos. Os itens pesquisados nesse projeto são açúcar, arroz, banana, batata, café, carne, farinha de trigo, feijão, leite, margarina, óleo de soja, pão francês e tomate.
No caso de Londrina, a cesta básica para uma família de 4 pessoas, adultos e duas crianças, ficaria em R$ 315,06, o equivalente à soma de valores de 1,75 salário mínimo.
O estudo coordenado por Flávio Oliveira dos Santos - embora sem comparativo de uma série histórica - apresenta outros dados inesperados em relação aos preços. No caso do arroz tipo 1, o menor preço não estava entre seis grandes super/hipermercados do centro, mas num pequeno supermercado de bairro. Na maioria dos casos, Santo Antônio da Platina tem preços mais altos que Londrina, que por sua vez tem preços iguais ou mais caros do que Curitiba, para os mesmos itens.

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