Oswaldo Petrin
É ilusório achar que a alta do dólar (a partir de ontem em reversão com baixa superficial) beneficia a agricultura de exportação. Hoje o empresário do setor está preocupado com os custos da próxima safra. É hora de comprar insumos e muitas indústrias estão atrasando pedidos e entrega para ver como fica o preço final dos itens que têm componentes importados - a maioria - e, portanto, seu preço é cotado em dólar. Com relação a alta dos juros o setor espera a poeira se acomodar para uma avaliação mais confiável.
O comportamento da soja ontem se deixou influenciar mais pelo comportamento da Bolsa de Chicago que repercutiu as condições da safra norte-americana, do que pelas variáveis internas, representadas pela alta dos juros e variação superficial do câmbio.
A notícia boa vem do Mercosul. O mercado comum regional deve aprovar hoje uma retaliação disfarçada aos subsídios concedidos pelos EUA e pela União Européia para produtos agrícolas. Por sugestão do ministro Pratini de Moraes, o bloco não vai limitar a um teto de 20%, como hoje, a tarifa de importação de produtos agrícolas subsidiados.
Embora formalmente o novo teto não deva ser anunciado, Pratini diz que será de 35%, o máximo permitido pela chamada consolidação de tarifas feitas pelo Brasil na OMC (Organização Mundial do Comércio). Mas, para os países que não pertencem à OMC, como a China, o teto chegará até 55%.
Não faz o menor sentido o Mercosul, que é o maior exportador líquido de produtos agrícolas do mundo, não se defender, quando a carne brasileira, por exemplo, enfrenta na Europa barreiras que equivalem a uma tarifa de 420%, diz. Essas informações são da reportagem da Agência Folha, autoria de Clóvis Rossi, enviado especial à Assunção.
A importação de produtos agrícolas pelo Mercosul oscila entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão, segundo o ministro. A maioria é subsidiada, o que significa que a tarifa mais alta teria uma aplicação praticamente generalizada. De quebra, aumenta a arrecadação fiscal.
Mas a mensagem é de retaliação ao protecionismo agrícola dos países ricos. No total dos 29 países supostamente mais industrializados do mundo (os membros da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), os subsídios chegam a US$ 1 bilhão por dia.





