A antecipação de medidas que pretende anunciar em julho, como parte do plano de safra 2001/02 (página 5), colocam o ministro Pratini, da Agricultura, numa posição mais confortável junto ao setor agrícola. E passa a ser uma exceção num governo que está afundando em crise de toda ordem, principalmente de desconfiança.
O protocolo de apoio à indústria moageira de trigo, para que priorize o produto nacional - no caso paranaense (veja nesta página) - também confere mais confiança ao ministro. Resta saber se as medidas serão cumpridas.
Na reunião do Mercosul, hoje em Assunção, no Paraguai, o Brasil adotará uma postura firme em relação às barreiras alfandegárias. Pelas palavras do ministro Pratini, o Brasil vai prioridade para o setor agrícola nas negociações envolvendo o Mercosul, a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e a ampliação do bloco atualmente formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
As negociações internacionais sobre a abertura de mercado têm que passar primeiro pela agenda agrícola, disse ontem o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes.
‘‘Ou condicionamos a abertura de mercado futuro à abertura de mercado para nós ou não há o que negociar. O setor agrícola tem que se impor’’, disse Pratini, em entrevista, ontem à repórter Patrícia Zimmermann, da Agência Folha.
Ao defender a queda de barreiras internacionais aos produtos agrícolas brasileiros, Pratini lembrou que algumas carnes brasileiras chagam à Europa, por exemplo, com 300% de tributos.
Na reunião do Mercosul também será debatida, segundo Pratini, a situação da aftosa. O ministro disse ontem que o Brasil vem apoiando com vacinas o Paraguai e a Bolívia, que eram consideradas ‘‘áreas-problema’’, como fez com o Uruguai.
Pratini informou ontem também que o governo deverá ampliar o volume de recursos para apoiar a comercialização da safra 2001/2002. Ele afirmou que o Plano de Safra 2001/2002, que será divulgado no fim do mês ou início de julho, deverá destacar também recursos para investimentos, principalmente para a armazenagem.
Outra boa informação: o Ministério da Agricultura deverá lançar até o fim do mês um programa para a divulgação da carne brasileira na Europa. Segundo Pratini, até maio, as exportações de carne brasileira somaram US$ 1,1 bilhão.
O resultado, de acordo com o ministro, correspondeu ao aumento nas exportações da quantidade de carne de frango (60%), bovina (20%), suína (160%), pescado (40%) e peru (80%).
Segundo o ministro, a expectativa de chegar a US$ 2,6 bilhões em exportações de carne este ano deverá se concretizar.
Estão praticamente resolvidos os problemas de embargo ao produto brasileiro com os ingleses, a Arábia Saudita e a Rússia. Ele informou ainda que uma missão da União Européia está no Rio Grande do Sul para analisar as condições de sanidade.

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