Representantes de produtores e da indústria moageira da soja encontraram um ponto convergente com relação à exportação do produto. Ao invés de brigar pela Lei Kandir, querem, juntos (Abiove, CNA, Abag, OCB) desonerar as exportações. Mais do que isto, pedem medidas de incentivo. Enquanto a soja (e produtos agroindustriais) só pagam tributos, outros setores, como quase todos os manufaturados, contam com políticas de apoio.
Na terça-feira, o setor apresentou uma pauta de 10 itens ao governo federal. Nada de tributar o grão, como pretendiam governadores de vários Estados e a própria Abiove na diretoria anterior. Essa tese já estava superada.
Com autoridade moral (a ponta produtora porque mostrou competência tecnológica com recordes em produtividade, e a indústria porque tem reduzido custos), o setor pede uma política de incentivo à exportação.
Tarde demais, porém. A espiral de alta do dólar parece não ter fim e dificulta a obtenção de crédito no mercado externo, se é isso que o setor soja precisa. Tanto que o Proex, principal programa do governo para financiar vendas externas, começa a sofrer transformações ‘‘para alargar o orçamento’’, que está sendo comprometido pela desvalorização do real.
A agroindústria soja imaginava que seria um bom momento para pedir apoio: a necessidade de recuperar a balança comercial e o crescente protecionismo dos países importadores de derivados de soja. Fábio Trigueirinho, economista da entidade, lembra que o óleo de soja, por exemplo, é pesadamente taxado. Ele aponta, porém, um cenário positivo para o mercado, por conta do potencial competitivo e da crescente demanda. As razões são conhecidas.
Aliás, a política de câmbio livre, no atual contexto, não beneficia a ninguém a não ser quem especula. As taxas de câmbio costumam adquirir dinâmica própria - que o diga o Banco Central - quando a economia é vulnerável, em crise de liquidez, em que o mercado estimula especulação e o investimento defensivo. É da teoria econômica: quando o país sofre crise de liquidez, o regime de câmbio livre estimula a especulação com moedas estrangeiras o que eleva excessivamente sua cotação e agrava sua escassez. Investidores deixam outros ativos reais para buscar abrigo no dólar.
O aumento do dólar em relação ao real, nos últimos meses, chega a comprometer a tese de que o câmbio valorizado beneficia as exportações. Não beneficia se essas exportações passam pelos benefícios dos incentivos. O incentivo sai caro demais. Da mesma forma, os importadores passam a utilizar a moeda estrangeira para suas compras, naturalmente querendo evitar pagá-las mais caro com o avanço do câmbio.
Há uma situação - quase inusitada - em que o dólar em alta, dificulta as exportações, na medida em que onera o custo dos recursos para financiamento às exportações.
Não é por acaso que o Proex - Programa de Incentivo às Exportações -, passa por mudanças que implicam em restrições ao crédito. Uma delas limita o prazo do financiamento. Tem-se como certo que a medida afetará algumas commodities agrícolas como café solúvel, além da carne bovina e o frango.

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