Oswaldo Petrin
Além do racionamento de energia elétrica, os investidores (no caso os investidores internos) têm mais uma razão para recuar diante das trapalhadas do governo FHC. Os agentes econômicos consideram que a pressão sobre o câmbio deve traduzir-se em mais inflação, obrigando o Banco Central a promover em junho e julho mais duas elevações de meio ponto porcentual da taxa de juros básicos, aumentando-a para 17,75% ao ano, nível em que deve fechar 2001.
Como de hábito, no Brasil os técnicos só conhecem um mecanismo para ajustar a economia, é o instrumento de ajuste monetário. No caso é só elevar as taxas de juros. Consequência disso é a recessão, com queda do consumo, desemprego, tudo tendo como consequência a redução da atividade econômica
Isto afeta o crescimento. E o Brasil vai rever suas metas do PIB. Anteriormente projetada em 4%, agora fala-se em 2,5%. Os 4% já eram duvidosos, mas em todos casos a economia tinha esse indicador como parâmetro. Enfim, já era modesta agora cai pela metade. Um país que tem um crescimento demográfico quase na mesma taxa, teria de apresentar um crescimento maior, se queisesse expandir a economia e aumentar as oportunidades de trabalho e geração de riquezas. Mas, não. E, se já era modesto, o crescimento pode ser considerado medíocre.
Executivos das grandes empresas estão convencidos da crise. Exemplos são os depoimentos de agentes de bancos internacionais. O banco JP Morgan, por exemplo, reduziu sua estimativa para o crescimento do PIB em 2001 de 3,5% para 2,5%, apostando ainda que o volume de investimentos estrangeiros diretos deve ficar em US$ 16 bilhões, e não mais de US$ 21 bilhões. Nesse cenário, o dólar deve atingir R$ 2,40 no fim do ano, e a inflação medida pelo IPCA pode bater em 6%, no limite superior da margem de erro da meta inflacionária, definida em 4%.





