Daniel Wouters , de Curitiba: ‘‘Escrevo pela primeira vez para essa coluna, para dizer que temos carne nova no pedaço. Nova e de qualidade. E há quem acredita - e investe - no bom gosto e exigência do consumidor.
‘‘O Frigorífico Balsa Nova, recém inaugurado no município de Balsa Nova,
próximo a Ponta Grossa, pode ser considerado o mais moderno do
Brasil. Foram investidos em instalações e equipamentos perto de R$ 1,6
milhão, visando um produto da máxima qualidade, podendo inclusive ser
fornecedor do mercado internacional.
‘‘Uma das primeiras preocupações dos investidores ao pensar em abrir o
frigorífico foi contratar pessoas especializadas para cada área. Como
profissional formado em Engenharia de Carnes na escola SVO, da Holanda,
entidade que há 50 anos forma profissionais do setor, fui chamado para
cuidar da parte técnica da empresa e dar assessoria sobre os equipamentos,
metodologias e cortes que seriam adotados. A parte administrativa vai ficar
a cargo de James Michaltchuk.
‘‘Para garantir a qualidade da carne e dos serviços do frigorífico, foi
requerida a inspeção federal (selo CIF), mais rigorosa que a inspeção
estadual. Inicialmente, o frigorífico movimenta 30 mil quilos de carne
bovina ao mês. A expectativa é de que em seis meses esse número dobre.
‘‘A tecnologia usada no local garante que a carne seja monitorada desde a
entrada no frigorífico até a saída, já embalada, através de código de
barras. Assim, cada lote tem um número diferente, que permite localizar de
onde veio cada bandeja de carne. Isso representa muito em controle de
qualidade. As bandejas também já saem do frigorífico com o preço ao
consumidor, que é bastante competitivo.
‘‘As carnes temperadas, linguiças e embutidos são feitos conforme receitas
implantadas no computador, que informa ao funcionário a quantidade exata de
cada tempero a ser adicionado, garantindo um sabor uniforme dos produtos.
Quando é necessário o congelamento, ele é feito num túnel, a menos 35º C,
que permite congelar a carne em no máximo uma hora. Essa rapidez evita perda
de líquido, pois é a perda de água que leva junto o sabor da carne.
‘‘Hoje as carnes embaladas e temperadas são vendidas na Casa de Carnes Novilho Nobre, outro empreendimento recente do empresário Mariano Lemanski,
proprietário do frigorífico. Inaugurada em maio na Av. Visconde de
Guarapuava, 4882, em Curitiba, a casa Novilho Nobre apresenta variedades de carnes (bovinas, suínas, ovinas, além de aves e caças). No mesmo local, são vendidos apetrechos para churrasco, verduras selecionadas, alimentos congelados, pães, bebidas e temperos.
‘‘O Paraná pode se orgulhar ter quem faça investimentos como este, segundo
os mais rigorosos padrões de qualidade existentes no mercado. É um

investimento que com certeza vai render muitos frutos, novos postos de
trabalho e o reconhecimento nacional e internacional para a excelente carne
produzida no estado.
Nota: Daniel Wouters, de Curitiba, é engenheiro de carnes formado na escola SVO, Holanda .
Itamar L. Guerino da Silva , de Paranavaí: ‘‘Quero parabenizar o leitor Fábio Barbante de Barros (depreciação dos produtos agrícolas; 26 de junho, Dia do Leitor) pela questão levantada sobre as promoções feitas pelos supermercados às custas do baixo valor pago aos produtores. Eles conseguem nos irritar duplamente: quando vendemos nossos produtos (cujos inumos pagamos em dólar) e quando entramos nos nesses estabelecimentos como consumidores. Agem como os picaretas do mercado de carro usado, enquanto a mercadoria está nas mãos da gente é depreciada; quando cai no estacionamento vira obra-de-arte.
Mas, às vezes fico pensando se não é injusto acusar apenas o varejo. Quando há todo um sistema viciado, cujo principal agente e vítima é, ao mesmo tempo o maior culpado: o agricultor que não se organiza.
Mas há outras situações, dentro dessa mesma cadeia de negócios, que também nos revolta. Se nos supermercados nossos produtos são usados como chamariz - como disse o senhor Fábio Barbante de Barros - nos bares vemos que um copo de leite com café, ou uma ‘‘média’’, a xícara grande, são vendidos quase pelo mesmo preço de um litro de leite. O que se recebe pelo litro de leite aqui na fazenda, não dá para comprar um copo de leite na cidade.
Nas churrascarias, o preço, por pessoa, do rodízio ou do espeto corrido (entre R$ 15,00 e R$ 17,00) é mais de 80% do valor da arroba do boi, recebido pelos produtores. Acompanha o cardápio uma série de outros produtos, mas todos de origem animal ou vegetal, ou seja vêm da agricultura, exceção do peixe, mas peixe não é opção de todas as churrascarias. Mesmo assim, o brasileiro tem a carne mais barata (e de melhor qualidade) do mundo.
Pedro J. Zonta - A propósito das sugestões e críticas feitas nesta coluna (26/5) pelo sr. Fábio Barbante de Barros, sobre promoção com legumes e verduras para atrair clientes nos supermercados, o jornal - através da repórter Vânia Casado, de Curitiba, ouviu o presidente da Apras, Associação Paranaense de Supermercados. Ele reconhece que os supermercados fazem promoções semanais com legumes e verduras para atrair os clientes. Mas destacou que como presidente da entidade não pode interferir na política de cada rede, que adota esse sistema para alavancar suas vendas.
Zonta declarou que pessoalmente considera péssima essa iniciativa porque deprecia o trabalho do produtor. Não é possível vender uma cabeça de alface a R$ 0,05’’, concorda. Por outro lado, ele admite que adota esse sistema em sua rede de supermercados porque se não o fizer perde competitividade em relação às demais empresas. Se um supermercado oferece preços de verduras e legumes abaixo do custo, os demais seguem a mesma linha para não perder clientes’’.
Nota: Pedro Joanir Zonta é presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras). E-mail [email protected]

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