Oswaldo Petrin
A entrada do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) acontecerá mais cedo ou mais tarde, empurrando empresários e governo brasileiros para o mundo da concorrência exacerbada. Qualquer esforço para conferir competitividade ao produto nacional passa pelo enxugamento dos custos. Nada de novo nessa evidência.
A novidade - chega a ser pretensioso -, é esperar que o governo sonolento de FHC ainda promova a reforma fiscal, um dos fatores de redução de custos e correção de distorções, como bitributação, imposto em cascata, etc. FHC teve todo tempo do mundo para este projeto.
Pois é, mas, ontem, uma empresária de peso, que normalmente não se expõe muito à mídia, Maria Sílvia Bastos Marques, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cobrou do governo uma discussão sobre a reforma tributária. Tarde demais. O governo está se esvaziando (no tempo de mandato, na política e na moral). Vai discutir o quê, com que cacife?
Os empresários também têm culpa nessa história porque não cobraram nada, não pressionaram coisa alguma.
Declaração da presidente da CSN: Se deixarmos de discutir esse assunto agora, o dia em que a Alca entrar em vigor, vamos dizer que não sabíamos sobre o impacto que a liberalização comercial teria sobre a nossa economia. Ou seja, vamos dizer que não sabíamos da mesma forma que se diz, agora, que não se sabia sobre a falta de energia. Maria Silvia falou num seminário sobre os Desafios do Comércio Exterior, promovido pela Ação Empresarial, em São Paulo.
O País não tem tradição de se planejar, afirmou a executiva, mas ressaltou (matéria da AE, Paula Puliti, ontem) que a iminência da Alca deve estimular as discussões sobre a reforma tributária. Maria Sílvia destacou que um passo importante para essa discussão será a aproximação da data de vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), em 2002.
Os empresários podem ser criticados por omissão política. Mas, individualmente, procuraram fazer sua parte. Maria Sílvia, por exemplo, garantiu (AE, ontem) que a CSN teve enormes ganhos de competitividade logo após a privatização. Agora, a empresa vive uma segunda etapa de ganho de competitividade, que é o fim dos impostos cumulativos (PIS-Cofins) e o alto custo do capital. Esses impostos reduzem a capacidade de competir no exterior.





