Oswaldo Petrin
-Vários indicadores estão apontando que a economia vai bem, mas quem não economiza vai mal. A Centralização dos Serviços dos bancos (Serasa) está apontando aumento nos títulos protestados. Telecheque e Serviço de Proteção ao Crédito, aferidores da inadimplência (ou pontualidade) do consumidor apontam na mesma direção: o cliente está faltando com o compromisso. Não é à toa que lojas de departamento - Arapuã, em Londrina, por exemplo - estão renegociando dívidas e adequando as datas de vencimento das prestações. A dúvida é se esses ajustes não acabam mascarando as estatísticas da inadimplência.
-Enfim, a inadimplência urbana da pessoa física está aumentando. Bateu recorde em julho, nas lojas de São Paulo, de acordo com levantamento realizado pela Associação Comercial de SP. No mês passado, a entidade contabilizou 314.670 casos de novos inadimplentes, o que representou um crescimento de 35% sobre junho. Em comparação com julho de 1996, o número de novos inadimplentes é 75,5% maior. Os dados são de SP mas, segundo os próprios técnicos, se extrapolados para o interior do Brasil, a diferença não será grande.
-Quem é inadimplente? A Associação Comercial de São Paulo considera inadimplente a pessoa física que atrasa mais de 30 dias o pagamento do crediário. O levantamento da entidade nas lojas também revelou que, em julho, 152.766 consumidores quitaram seus débitos em atraso. Esse número é 14% maior do que o verificado em junho e 56,2% acima do registrado em julho de 1996.
-Segundo Emílio Alfieri, economista da ACSP, o crescimento do número de
pessoas que quitaram seus débitos em atraso é positivo, embora insuficiente. A taxa de crescimento da inadimplência ainda é maior, disse, ontem, em entrevista ao repórter Maurício Esposito, da Agência Folha. O recorde anterior de novos carnês em atraso era de maio deste ano, quando o número de registros recebidos chegou a 278.493. O pico normal da inadimplência costumava ser em abril.
-Nos meses seguintes havia uma redução gradual no número de carnês em atraso.
Neste ano, o comportamento mostra-se atípico. Depois do pico observado em maio, de 278.493 novos carnês em atraso, houve uma redução em junho para 233.113 carnês. Agora em julho o resultado ficou fora do padrão sazonal.
-O levantamento revela um aumento de 11,7% em julho no número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito, em comparação a junho. Em relação a julho de 96, o crescimento das consultas é de 20,7%. Apesar desse crescimento, as vendas a prazo estão perdendo espaço. Em janeiro deste ano, em relação ao mesmo mês de 1996, as consultas ao SCPC registravam crescimento de 54,5%. As consultas ao Telecheque em julho passado cresceram 18,5% devido principalmente à inclusão no sistema dos postos de gasolina, disse o economista. No ano, o crescimento das consultas ao Telecheque é de 29,8%.Calote





