Uma decisão da Organização Internacional de Epizootias (OIE) pode beneficiar o Brasil, potencializando ainda mais suas exportações de carne, em plena crise da aftosa e da vaca louca. Se isto acontecer vale repetir: em matéria de aftosa e vaca louca, o Brasil tem mais sorte do que juízo.
Seguinte: a assembléia geral dos 154 países que integram a OIE, que começa domingo em Paris, irá analisar a solicitação do Brasil para que o chamado Circuito Pecuário Leste seja reconhecido como área livre da aftosa com vacinação, segundo informou ontem o coordenador de programas sanitários do Ministério da Agricultura, Jamil Gomes de Souza, em entrevista a Gecy Belmente, da Agência Estado.
A expectativa dos pecuaristas brasileiros é a de que o título seja concedido, uma vez que o comitê veterinário da OIE - que analisa tecnicamente a proposta - já se manifestou favoravelmente a esse pleito, em fevereiro último. Segundo o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira, tradicionalmente as assembléias gerais da OIE ratificam as decisões do comitê veterinário.
Antenor Nogueira disse que a certificação a ser concedida pelo OIE ao Circuito Leste ampliará consideravelmente o potencial exportador do Brasil no segmento de carnes. São mais 53 milhões de cabeças de gado que se integram as 63 milhões de cabeças do Circuito pecuário Centro-Oeste que já obtiveram este título em maio do ano passado pelo OIE.
A situação mais complicada no momento é a do Circuito Pecuário Sul, formado pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná. Com o retorno da aftosa no Rio Grande do Sul em abril passado, essa região perdeu o estatus de livre com vacinação que havia obtido junto a OIE em maior de 2000. Internamente, contudo, Santa Catarina, continua reconhecida como livre do vírus sem o uso de vacina, pelo Ministério da Agricultura.
O Circuito Pecuário Leste é formado pelos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, parte leste de Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Mato Grosso do Sul e Tocantins, mais as zonas tampão (espécie de um cinturão para proteger a área livre da doença) de Mato Grosso, Goiás e São Paulo.

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