Uma notícia boa. A Inglaterra havia decidido suspender as importações de carnes do Brasil, mas, ontem, o ministro Pratini consegiu o apoio da União Européia (ver nesta página) para reverter a situação. A UE vai gestionar para que Londres suspenda as carnes apenas das regiões realmente atingidas pela doença, no caso o Rio Grande do Sul. (Aliás, surgiram focos a 400 quilômetros da fronteira e não dá mais para falar que a doença está cercada no extremo sul). A Inglaterra terá que seguir as regras válidas para toda UE.
Uma notícia negativa. Surgem os primeiros culpados pela aftosa. Notícia divulga ontem pela Agência Estado, confirma o que muitos técnicos já desconviavam. Os países da América do Sul, Brasil no meio, negligenciram nos cuidados sanitários.
Especialistas em sanidade animal do Brasil, Argentina, Uruguai, e Paraguai creditam a volta da febre aftosa nos países do Cone Sul à desestruturação dos serviços sanitários desses países - decorrentes da própria conquista sanitária obtida - e à interrupção na troca de informação com relação ao controle da doença e intercâmbio técnico que vinham realizando.
Essa é a conclusão de um encontro realizado ontem na sede do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em Brasília, para analisar o combate à febre aftosa nos países do Cone Sul, conta Gecy Belmonte,
da AE.
‘‘Não se pode ocultar que, após algumas conquistas sanitárias de grande importância, as diversas estruturas sofreram um retrocesso, permitindo a volta da epizootia, principalmente pelas condições de alto risco assumidas com a retirada da vacinação’’, alerta parte de um documento emitido pelos técnicos ao final da reunião.
Este documento será enviado aos ministros da Agricultura e às autoridades sanitárias de cada um dos países, alertando para a necessidade de que, daqui para a frente, o combate à febre aftosa seja realizado de forma conjunta pelos quatro países do Mercosul, mais o Chile e a Bolívia, e pelo setor privado.
O coordenador de sanidade agropecuária do IICA, Josélio de Andrade Moura, disse que os países que já haviam erradicado a doença não erraram ao suspenderem a vacinação contra a aftosa. ‘‘O erro foi não ter investido mais em vigilância sanitária’’, observou.
Segundo ele, é preciso ter também um cadastro de proprietários atualizado, um controle rigoroso de trânsito dos animais, treinamento de profissionais, programas educacionais e um sistema de notificação ativo, para que os países possam informar uns aos outros em um prazo não superior a quatro horas a ocorrência de qualquer foco da doença.
Como exemplo claro desse descuido citaram o fato de a Argentina ter escondido de seus parceiros que tinha a doença por mais de seis meses; a inexistência de vacinas no Uruguai; e o desmantelamento do serviço sanitário do Rio Grande do Sul, conforme constatou auditoria feita pelo próprio Ministério da Agrcultura há um mês.

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