Oswaldo Petrin
-O crescimento do PIB não é o melhor parâmetro para aferir a saúde econômica do País em todos os setores. Mas, seguramente, é um instrumento mais do que suficiente para indicar se, no conjunto, as coisas vão bem. E a projeção do PIB está indicando que, no todo, a agricultura - ou o agronegócio da agropecuária - está crescendo. Ele pode não estar distribuindo bem os benefícios do crescimento, mas está na ascendente, pelo menos. Efeito disto já se viu ontem no aumento da demanda de fertilizantes, apontada pelas indústrias.
-O Boletim Conjuntural do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que a imprensa divulgou ontem, relativo ao segundo trimestre do ano, projetou para este ano um crescimento de 4,1% da indústria geral, o que acarretaria uma variação de 4% no Produto Interno Bruto (PIB). Essa projeção, como relata o documento, implica estabilidade para o restante do ano, em termos dessazonalizados, em relação aos níveis alcançados no segundo trimestre. O efeito disto transparece em vários outros setores.
-O Ipea projeta crescimento de 6,4% para o setor agropecuário, de 4,2% para a construção civil e de 3,4% para o setor de serviços. Segundo o documento elaborado pelo Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, a perspectiva de uma reação das exportações e as importações contribui para amenizar as incertezas do balanço de pagamento no momento em que a estratégia de estabilização e ou crescimento, baseadas em alto grau de alavancagem de poupança externa, passam a ser crescentemente questionadas.
-Sobre o crescimento do setor primário, a boa performance fica por conta do item soja e, em parte menor, por conta do café e da pecuária de corte. Outros itens, como hortigranjeiro, também evoluíram, mas em proporção bem menor.
-O Ipea considera que o déficit em conta corrente previsto para este ano, de aproximadamente 4,5% do PIB, não é tão elevado quanto aquele exibido pelos países do sudeste asiático cujas moedas foram atacadas ao longo de julho. Quanto à perspectiva de ajuste fiscal, a avaliação do Ipea é que o problema atual é avançar de forma mais decisiva no sentido de ampliar os superávits primários, que deveriam situar-se em torno de 1,5% para dar início ao ciclo virtuoso. (Cláudia Schuffner, AE).
-O Órgão ressalta que a perspectiva inicial do governo federal, de obter neste ano um resultado primário de cerca de 0,8% do PIB (ante os 0,4% em 1996), pode ser frustrada em razão dos seguintes fatos: baixo desempenho da arrecadação, cujo resultado no primeiro semestre foi 0,4% inferior a igual período do ano passado, excetuando-se a CPMF; e a elevação dos gastos em outros custeios e investimentos.Sem futuro





