O governo federal está ameaçando excluir o Estado do Rio Grande do Sul do Circuito Pecuário Sul. Neste caso, o modelo de circuitos pecuários teria de ser redesenhado na Organização Internacional de Epizootias (OIE), com sede em Paris. O RS deixaria de fazer parte do circuito junto com Santa Catarina e passaria a ser um Estado ‘‘sem risco avaliado’’. O Paraná não faz parte deste circuito, apesar de ser um estado sulista. O Paraná é considerado livre da aftosa ‘‘com vacinação.
A leitura que o governo de Brasília faz é a seguinte: no momento em que uma missão de técnicos do Ministério da Agricultura viaja para a Rússia - e outros países - tentando reverter a suspensão das compras da carne suína brasileira, o RS faz ‘‘corpo mole’’ e não mostra a menor colaboração, prejudicando inclusive os criadores daquele estado.
Esta interpretação do governo federal - manifestada ontem pelo diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), do Ministério da Agricultura, Rui Vargas - é debitada à insistência do governo do Rio Grande do Sul em não executar as medidas sanitárias para erradicar a febre aftosa, incluindo o sacrifício dos animais contaminados. O governo federal ainda não ‘‘digeriu’’ as origens dos focos de aftosa em Jóia no RS. Assessores do ministro Pratini deixaram entrever que o ministro entende que faltou empenho do RS em vacinar.
O problema no RS é também operacional. Nem o Ministério da Agricultura, nem a Secretaria de Agricultura do RS se responsabilizam pelo abate. Ontem, num canal de TV a cabo, o presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul) desabafou: ‘‘Assim é difícil controlar a doença’’.
O jogo político de empurra pega é criticado nos demais Estados. Santa Catarina é o mais prejudicado não só pela proximidade geográfica, mas por estar na mesma condição que o RS perante a OIE.
As agências de notícia divulgaram ontem o agravamento das divergências entre Brasília e Porto Alegre. As notícias vão para outros países, importadores de carne que dimensionam a forma leviana como um problema tão sério é tratado no Brasil. O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal disse ontem à Agência Estado, que o ministério ainda não recebeu nenhuma informação formal do governo do Rio Grande do Sul sobre a situação da aftosa no Estado, nem mesmo sobre o número de animais que estariam infectados. Inicialmente, fala-se em 30 animais contaminados em dois focos da doença, um em Santana do Livramento e outro em Alegrete. Informações veiculadas na imprensa gaúcha, no entanto, davam conta de que 62 animais já estariam doentes. Rui Vargas enfatizou que o prejuízo causado pela falta de uma ação eficaz para debelar a doença será proporcional à demora para que estas sejam adotadas.

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