Oswaldo Petrin
Os produtores gaúchos sentiram na carne os efeitos da política nas atividades administrativas. Nem um problema sério, como os prejuízos da aftosa, consegue superar os interesses de grupos partidários.
Mas, pelo menos agora, o Ministério da Agricultura cedeu e vai vacinar todo o rebanho do Rio Grande do Sul - e não apenas os 25 municípios sub suspeita de terem focos. Houve muita pressão de produtores.
A doença levou Israel e Chile a suspenderem a importação de carne bovina brasileira.
O ministro Pratini de Moraes aproveitou a oportunidade para criticar o governo gaúcho. A decisão pôs fim à queda-de-braço entre Pratini e o governador gaúcho, Olívio Dutra (PT). Dutra defendia a vacinação, enquanto Pratini era contra a medida. A vacinação deve começar hoje. Haverá uma segunda dose 21 dias após a primeira vacina (Agência Folha).
Pratini disse que um dos motivos que levaram o governo federal a iniciar a vacinação é a inconsistência do sistema de vigilância sanitária animal do governo do Estado.
Sobre a demora do governo federal em adotar a vacinação, Pratini disse que a medida foi tomada assim que foi descoberto um foco de febre aftosa na cidade de Santana do Livramento (RS), no último fim de semana.
Não adianta antecipar o mal, disse o ministro, defendendo a idéia de que não se deve vacinar animais antes de se descobrir focos da doença.
Além da vacinação, o ministério decidiu proibir a circulação de cabeças de gado do Rio Grande do Sul para outros Estados do país. A justificativa dessa medida também caiu nas costas do governo gaúcho.
Há um fato chamando a atenção. A acusação do ministro Pratini de que o governo do RS anunciou - em vacinação anterior - ter imunizado 90%, quando o índice não passou de 50%. Este tipo de eficiência tira a credibilidade do País no mercado externo.





