Oswaldo Petrin
Os setores produtivos e o Ministério da Fazenda terão que empreender um esforço gigantesco no segundo semestre para manter um certo nível de exportação e equilibrar o balança comercial. Sem uma medida política para alavancar as exportações, o fiel da balança vai pender fortemente para o lado contrário. Não seria tão arriscado se a economia mundial não estivesse sinalizando várias crises. Na Argentina deve se salvar como pode - mas ainda sem luz no fim do túnel - e os Estados Unidos ainda não terão retomado ritmo normal da habitual gastança interna tão salutar a economia.
O Brasil terá menos que exportar no segundo semestre. Dois motivos: muitas exportações foram antecipadas para aproveitar a boa performance do dólar. Neste primeiro semestre, especialmente em abril, o dólar estevebem alto e até ajudou a compensar a má fase de preços de várias commodities agrícolas. A soja e o complexo soja que o digam. O dólar está, hoje, 20% mais valorizado que a média de 2000.
Se este foi o assunto principal não se pode descartar que a carne perderá um pouco seu ímpeto em função da volta da febre aftosa, inicialmente apenas no Rio Grande do Sul.
Mas, a exemplo da soja (veja matéria da Agência Estado nesta página - e opinião de analistas), também as exportações de carnes registraram uma média de US$ 14,11 milhões no mesmo período, alta de 87% em relação aos US$ 7,5 milhões registrados em maio de 2000 e alta de 18,7% em relação aos US$ 11,9 milhões registrados na primeira semana de abril passado. As exportações de açúcar na primeira semana de maio ficaram em US$ 2 milhões, alta de 289,5% em relação aos US$ 529 mil registrados em maio de 2000.
Comparando: em relação a abril de 2001, quando as exportações atingiram US$ 3,6 milhões, contudo, as vendas externas caíram 42,6%. Fábio Silveira, analista da Tendências Consultoria, explica que as exportações de maio de 2001 são maiores que as do mesmo período de 2000 devido à quebra de safra de açúcar em 2000. Já a queda nas vendas em maio em relação ao mês anterior é decorrente da menor disponibilidade do produto já que maio marca o pico da entressafra.
No segundo semestre, a balança não vai poder contar com a contribuição do café, por exemplo. As exportações de café ficaram em US$ 4,18 milhões na primeira semana de maio, queda de 32,7% em relação aos US$ 6,2 milhões obtidos em abril e queda de 44% em relação aos US$ 7,44 milhões registrados em maio de 2000. As exportações de suco de laranja ficaram, no período, em US$ 1,95 milhão, queda de 27,2% em relação à média diária do mês anterior, de US$ 2,68 milhões e queda de 27,2% em relação aos US$ 2,69 milhões obtidos em maio de 2000.





