Oswaldo Petrin
Agora é provável que a vaca vá para o brejo com corda e tudo. Não adianta chorar em cima do leite derramado, avisa o leitor Antônio P.C. Bonfim, de Maringá: a aftosa chegou. Para nós, está localizada no extremo sul; para o mercado internacinal, ela está no Brasil.
Não adianta disfarçar. A sanidade animal no Brasil não é tratada com a necessária seriedade. Vacinação e outras medidas controle preventivo aqui são apenas um arremedo, Está certo o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul que não quer sacrificar os animais. Todo o rebanho é potencialmente contaminável. Novos focos surgirão - deve estar pensando. O jeito é conviver. Conviver coma doença significa referendar a promiscuidade.
A UE agora vai impôr seu veto por atacado, a começar pelo Uruguai. Hoje, deve decidir se decreta um embargo à carne procedente do Uruguai, em decorrência da epidemia de febre aftosa.
O Comitê Veterinário Permanente (CVP), instância que reúne veterinários especialistas da Comissão Européia e dos 15 países membros da UE, tem como último ponto de sua agenda o seguinte tema: Uruguai e a possibilidade de um embargo por causa de novos casos de febre aftosa, informou Thorsten Muench, do Comitê Veterinário, à France Presse, ontem.
O Uruguai registrou até o momento 190 focos de febre aftosa, segundo fontes oficiais, e no sábado iniciou a vacinação em massa na fronteira seca com o Brasil (norte) e no centro do país.
No dia 25 de abril, o Uruguai suspendeu as exportações de carne e produtos derivados por tempo indeterminado.
No início de abril, Bruxelas anunciou o fim do embargo à carne e produtos derivados procedentes do departamento uruguaio de Artigas (norte), que havia sido decretado em outubro do ano passado.
A Organização Internacional de Epidemias (OIE) suspendeu a condição de país livre de aftosa sem vacinação do Uruguai, depois do país ter mantido essa condição por mais de cinco anos.
Em matéria de restrições seremos a bola da vez. Com negligência de governos (que ficam fazendo aposta política, caso do Rio Grande do Sul); com fronteiras vulneráveis e com falta de pulso, poderíamos esperar o quê? Fomos longe demais.





