Se depender dos seis laboratórios que produzem vacina contra aftosa, não vai faltar uma dose sequer, ainda que a demanda aumente, como deve acontecer nos próximos dias. Os estoques de vacina estão altos, cerca de 50 milhões de vacinas no encerramento de abril. A informação foi dada ontem a este jornal pelo presidente do Sindicato Nacional de Produtos para a Saúde Animal (Sindan), Nelson Antunes.
Mas tem um detalhe: o Sindan não pode garantir que os testes (feitos pelo Ministério da Agricultura) tenham fluxo suficiente para disponibilizar as vacinas a tempo, caso a emergência aumente. Os testes são feitos em animais escolhidos; são animais que não tenham sofrido qualquer tipo de vacinação. Esses testes sorológicos da vacina - por amostragem - só podem ser feitos após quarentena. Os animais têm que apresentar alta sensibilidade.
Má notícia: os testes, porque seguem normas científicas são demorados e, normalmente, atrasam.
Como médico veterinário, Antunes considerou positivo o fato de o Rio Grande do Sul vacinar, ainda que corra o risco de perder o status de área livre de aftosa sem vacinação, o que ele acha que não vai acontecer.
Sobre a qualidade das vacinas, disse que ninguém pode levantar dúvidas, mas não soube informar o índice de imunização - aproveitamento. Todos os focos da doença nos últimos anos ocorreram em animais não vacinados, observa Antunes.
As indústrias do setor têm capacidade instalada para 350 milhões de doses/ano. A demanda indicada pelo governo é de 284 milhões de doses (demanda brasileira em 2001). Para não deixar dúvida: juntos os laboratórios têm capacidade para produzir 350 milhões de doses de vacina/ano. O rebanho nacional é de 170 milhões de cabeças.
De janeiro a abril, já foram comercializados cerca de 80,2 milhões de doses. A previsão é atingir a marca de 300 milhões doses este ano. Em 2000, o país vendeu 282,6 milhões de doses, contra 247,6 milhões no ano anterior.
Na última sexta-feira, sem dificuldade, a indústria enviou um milhão de doses para o Uruguai. Não é a primeira vez que o Brasil atende a outros países. O Sindan acha que haverá novos pedidos. Muitos países não têm estoque de vacina e não têm condições de montar uma estrutura para produzi-la a curtíssimo prazo, como exige uma condição de emergência. A Bolívia quer 3 milhões de vacinas.
Com a aftosa batendo na porteira de milhares de fazendas - e o medo do rifle sanitário - nunca houve tanta pressa em vacinar. O faturamento da indústria do setor deve crescer entre 4,5 e 5,5%.
O vice-presidente do Sindan, Sebastião Guedes, também garantiu (para a Agência Estado) que não vai faltar vacina. Porém os números apresentados pelo vice-presidente são bem diferentes dos números fornecidos por Nelson Nunes.

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