Oswaldo Petrin
As discussões sobre protecionismo, subsídios, dumping, etc, são uma forma de empurrar decisões com a barriga. Já tivemos a oportunidade de dizer aqui (e recebemos cartas de apoio dos leitores) que o assunto é estéril. O Brasil vive discursando - inutilmente - contra os subsídios dos outros quando poderia apoiar sua agricultura usando métodos correlatos. Não o faz a pretexto de defender uma utopia chamada livre mercado.
Vejamos o caso dos Estados Unidos. O agricultor americano é objetivo. Tem competência, respaldo político e defendem com firmeza medidas do interesse da produção - que os governos americanos apoiam na maioria das vezes porque produzir alimentos é uma ação simpática (deveria ser em todos os lugares do mundo)
O agricultor americano não admite que aquele apoio tão necessário, na opinião dele, seja considerado subsídio. Ou, então que a expressão subsídio denote favores, colaboração, ou coisa semelhante. Subsídios, entendem, são o benefício paternalista que recebem os europeus. Certo ou errado, esta é a leitura dos americanos.
Vai chegar o momento que discussões como as que se trava atualmente no seio da Alca, não serão ouvidas. Cada um que negocie como pode.
O Brasil tem uma política agrícola adversa, meio suicída. Se remover os gargalos - maioria deles fora da porteira da fazenda - terá dado um passo importante para reinserção da sua mercadoria no agronegócio globalizado. Sem adotar medidas paternalsitas, sem favores.
Isto, na agricultura. Em outros setores, dezenas de itens brasileiros enfrentam tarifas norte-americanas de mais de 35% de seu valor, conforme informou o embaixador Rubens Barbosa. Produtos industriais tropeçam em barreiras comerciais injustas. As exportações brasileiras de aço, são um exemplo. Sofrem por causa das práticas anti-dumping arbitrárias. Este sim, é um impasse de dificil superação.
Além do aço poderiam ser citados outros como calçados, por exemplo. Mas neste ponto, parece ter faltado à diplomacia brasileira, ao longo dos últimos anos, um pouco de firmeza e iniciativa de represália. Se não temos lastro para isto, então é melhor abdicar do direito.





