Com tanta mistura, um pouco mais de álcool na gasolina, não vai alterar nada. A adição de álcool na gasolina deve subir para 22% ainda este mês. Amanhã, quarta-feira, os ministros que compõem o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima) devem aprovar amanhã o aumento na mistura de álcool anidro à gasolina dos atuais 20% para 22%. Os estudos técnicos que recomendam o aumento em dois pontos porcentuais já estão prontos e foram coordenados pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida.
A medida deverá entrar em vigor já no mês de maio. A intenção inicial do governo era de que o porcentual de mistura de anidro na gasolina retornasse logo aos 24%, como vigorou até o dia 19 de agosto do ano passado. Com receio de acabar pressionando os preços, o governo optou, no entanto, por uma posição de cautela. ‘‘A questão básica é encontrar um ponto de equilíbrio entre a produção de álcool e açúcar, para que nenhum dos segmentos sejam pressionados’’, explicou um técnico.
O receio do governo se explica: ao sinalizar por maior demanda de cana para suprir o abastecimento de álcool, está indicando que os preços do açúcar (em função da menor oferta de cana para este segmento) poderão subir no mercado internacional. Com isso, os produtores poderão se interessar mais pelo açúcar do que pelo álcool, o que poderá reduzir a oferta e elevar os preços do álcool, reprisando um quadro que ocorreu no ano passado e que obrigou a Petrobras a importar álcool do Nordeste e metanol do exterior.
As importações ocorreram em função da quebra de 20% na produção de cana da região Centro-Sul. Como a safra deste ano no Centro-Sul deverá ficar em torno 275 milhões de toneladas - 10% acima do ano passado -, será possível não só aumentar o porcentual de anidro na gasolina como elevar as exportações de açúcar.
No ano passado, com a quebra da safra do Centro-Sul, as vendas externas de açúcar, que foram de 12 milhões de toneladas em 1999, caíram para cerca de 6 milhões de t. Essa redução elevou os preços no mercado externo. Por isso, este ano, o governo quer aumentar as vendas de açúcar para cerca de 7 milhões de toneladas, ou o equivalente a US$ 1,2 bi, aproximadamente. Fonte: Agência Estado).

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