A agroindústria recoloca a balança comercial no caminho do superávit. No meio da semana o presidente da Avipar (que representa a indústria de frango), Paulo Muniz, em entrevista à repórter Ana Paula Nascimento, mostrou dados que apontam crescimento de 167% nas exportações de frango, de janeiro a março deste ano, em comparação com igual período do ano passado.
  Ontem foi a vez da Confederação Nacional da Agricultura mostrar dados que projetam aumento das exportações de produtos primários e agroindustriais.
  Segundo a CNA, as exportações, previstas inicialmente para alcançarem US$ 18 bilhões, poderão chegar a US$ 19 bilhões até o final de dezembro, contra os US$ 16,7 bilhões registrados em 2000.
  Se os dados da CNA estiverem corretos, a balança comercial do agronegócio apresentará um superávit de US$ 14 bilhões - um acréscimo de 13,8% sobre o saldo do ano passado (US$ 11,5 bilhões).
  Somente o frango - dados da Avipar - vai movimentar mais de US$ 91 milhões equivalente a 54 mil toneladas exportadas. A produção nacional só no primeiro bimestre foi de 1,1 milhão de toneladas. O Paraná lidera a produção nacional e foi responsável por 18,64% do total produzido em 2000 (5,975 milhões de t), com previsão de chegar a 20% a participação produtiva até o final deste ano.
  A excelente performance do frango reflete no crescimento das exportações do agronegócio como um todo. As exportações serão lideradas pelo aumento das vendas externas de carnes bovina, de frango e suína, couro e complexo soja, puxado - este ano - pelo grão, seguido do farelo.
  O chefe do Departamento de Comércio Exterior da CNA, Donizetti Beraldo disse à Agência Estado que as exportações de carne poderão passar de US$ 1,8 bilhão vendidos no ano passado para US$ 2,5 bilhões em 2001. No total previsto, a venda de carne bovina responderia por US$ 1,1 bilhão, a de frango, por US$ 1,2 bilhão, e a suína, por US$ 300 milhões.
  O mercado aberto pela crise na Europa e pela busca de novos fornecedores de carnes, em lugar da Argentina, por exemplo, permitirá ao Brasil aumentar as suas exportações de carne bovina e de frango em US$ 300 milhões neste ano. As exportações de carne suína praticamente dobrarão, com a abertura de mercados como o da Rússia, disse o técnico.  As vendas do complexo soja estão melhorando significativamente porque os países europeus, especialmente, estão sendo obrigados a importar o produto para substituir a proteína animal que vinham usando como ração para alimentar o gado - ração que acabou provocando o mal da vaca louca.
  Como exemplo da recuperação de preços do setor, ele disse que o preço médio da tonelada de farelo de soja, que era de US$ 175 a tonelada em fevereiro, já está cotada em US$ 200.

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