Oswaldo Petrin
FHC quer uma promoção mundial da carne bovina brasileira. Mas, uma campanha agora, quando o consumidor europeu está arisco com relação à carne - e não necessariamente com a carne européia apenas -, pode se transformar num publicídio.
O presidente Fernando Henrique convocou os empresários brasileiros a fazer uma agressiva campanha de divulgação internacional da excelência da nossa carne. Em seu programa de rádio semanal, FHC disse acreditar que o Brasil tem condições de bater mais um recorde este ano exportando, só em carne, o equivalente a US$ 2 bilhões. Nada mais inoportuna, esta sugestão do presidente FHC. Claro que o Brasil deve aproveitar os espaços que se ampliam no mercado internacional - tragédia à parte. Afinal, o Brasil não tem culpa se o rebanho dos outros está contaminado, ora com vaca louca ora com aftosa.
Encerrado o episódio da encefalopatia espongiforme bovina - com o Canadá reconhecendo a qualidade da carne brasileira -, o Brasil tinha todo o direito de fazer uma grande campanha de marketing internacional. Naquele momento seria interessante. Só que, três semanas depois, surgiu um fato novo: a aftosa pipocou em todo canto. Livre da aftosa, o Brasil estaria, novamente, em situação privilegiada?
Nem tanto. Se no caso da vaca louca podemos exibir o nosso boi verde, ecológico e sadio, no caso da aftosa, porém, as coisas não são tão fáceis para quem tem vizinhos como Argentina e Paraguai.
Melhor é ter cautela, num momento em que interesses - e muito ciúme - comerciais permeiam atitudes para contornar o problema sanitário. Se não temos aftosa, vale lembrar que temos uma divisa escancarada com a Argentina (quase 300 focos, segundo a Organização Internacional de Epizootias - OIE).
Mas, será que é só isso? No caso da aftosa temos mais sorte do que juízo. Além das fronteiras, há dentro do próprio País quem, de repente, resolve não vacinar. Na última terça-feira, em Londrina, houve denúncia contra a fazenda 7 mil, em Ivaiporã, que não vacina e não deixa vacinar, segundo o denunciante que exibiu documentos.
Portanto, pela vaca louca até que podemos ofertar mais carne e farelo de soja. No caso da aftosa, porém, é melhor suspender a sugestão do presidente da República e rezar. Ou agir mais firmemente.
Se o mercado é uma guerra, há algumas premissas. Uma delas, é o clima adverso para as carnes, com as tevês mostrando imagem de massacre dos rebanhos. E a Inglaterra preocupada até com a fumaça das fogueiras que queimam os animais mortos.
Se o Brasil tivesse sido ágil e lançado uma campanha imediatamente após o bom desfecho das divergências com o Canadá, teria de ser inteligente para suspendê-la nesses dias fatídicos para a pecuária Européia ou canadense e americana. E, sobretudo, para os consumidores desses países. Iniciar a promoção agora, nem pensar.





