Oswaldo Petrin
Enquanto o governo prevê colheita de 95 milhões de toneladas de grãos oleaginosos no verão, o trigo, no inverno, continua precisando de uma boa alavancagem da política agrícola, que não vem. A primeira estimativa de plantio para a safra de inverno do Brasil, divulgada ontem pela Conab, mostra que a área destinada ao trigo em 2001 será a mesma do ano passado.
A mudança está na estimativa de produção. De acordo com a Conab, neste ano o Brasil deverá produzir 2,764.3 milhões de toneladas do cereal, 66,7% sobre o número da safra de 2000 (1,658.4 milhão de t), castigada pelo clima. A estimativa para este ano supera em 15% os 2,402.8 milhões de t da safra 1999.
Dentre os fatores, a Conab destaca as recentes elevações cambiais, a firme demanda dos moinhos pelo produto nacional e o recuo dos preços do milho, projetando um cenário de maior liquidez na comercialização da próxima safra e trazendo um certo grau de otimismo ao setor produtivo.
Voltando à safra de verão, a confirmarção dos 95 milhões de t ainda depende dos resultados que forem obtidos com a colheita da segunda safra de milho, que começa em junho, e do plantio do trigo, que se inicia em maio próximo, conforme dados divulgados pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes.
O ministro foi apresentar os dados pessoalmente ao presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Alvorada. Uma atitude que os agricultores certamente dispensariam porque FHC não tem afinidade com a agricultura e, portanto, não deve reivindicar para o governo as virtudes ou deméritos da colheita.
Juros A redução dos juros nos EUA refletiu ontem no mercado da soja e café (veja coluna produtos, na página 4). O Federal Reserve, banco central dos EUA, surpreendeu o mercado ontem ao reduzir a taxa básica de juros de 5% para 4,5% ao ano. É o quarto corte apenas neste ano. A decisão também inibiu alta maior dos juros básicos no Brasil pelo Comitê de Política Monetária, tanto que o Copom protelou sua decisão.





