Oswaldo Petrin
Área de Livre Comércio das Américas sim, mas sem o protecionismo norte-americano. Esta posição dos empresários brasileiros confere ao ministro da Agricultura e diplomacia brasileira, uma missão impossível na Alca.
Mas foi este o recado - ou pedido - deixado pelas lideranças que estiveram com o ministro Pratini de Moraeis.
Quanto o assunto é Alca, OMC ou mesmo o moribundo Mercosul, não há posição despojada do emocional.
Os empresários brasileiros imaginam o bloco transformado em uma zona totalmente livre de subsídios e garanta o acesso a mercados para os países em desenvolvimento como o Brasil.
Segundo o chefe do Departamento de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antonio Donizetti Beraldo, em entrevista à Gecy Belmonte, da AE, ontem, esta foi a mensagem que os representantes de dez entidades empresariais ligadas ao setor de agribussines transmitiram ao ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, durante reunião que durou cerca de duas horas ontem no Ministério da Agricultura.
Os empresários querem que a posição do setor agrícola seja reforçada pelo governo brasileiro na 3ª Cúpula das Américas, que reunirá presidentes de 34 países do hemisfério, em Quebec, no Canadá.
O diretor do Departamento de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro Camargo Neto, responsável pelas negociações envolvendo a Alca no Ministério, disse que daqui para a frente o governo e o setor privado realizarão reuniões periódicas para se prepararem para as negociações internacionais, tanto da Alca como do relançamento da rodada agrícola da Organização Mundial do Comércio (OMC), prevista para ocorrer ainda este ano.
A maior preocupação dos empresários do agribussines, conforme Beraldo, é com as distorções que vêm sendo registradas nos chamados subsídios domésticos, ou seja, ajuda concedida diretamente aos produtores, especialmente pelos Estados Unidos. Somente no ano passado o setor agrícola americano recebeu US$ 22 bilhões em subsídios do governo. Isso significa que 40% da renda líquida dos produtores americanos vêm do Tesouro dos Estados Unidos, salientou.
Durante a reunião com o ministro da Agricultura, os dirigentes de entidades vinculadas ao agribussines também reafirmaram ao ministro Pratini de Moraes a necessidade de que o Brasil garanta, nas negociações da Alca, o acesso a mercados para os produtos agrícolas brasileiros. O presidente da Associação Brasileiras dos Exportadores de Cítricos, Ademerval Garcia, disse ser elementar que as negociações envolvam a eliminação e redução de tarifas impostas ao Brasil. E sugeriu que outros grupos, como soja, café, carne bovina, frango e suínos tenham uma postura mais firme.





