Oswaldo Petrin
O aumento do dólar comercial ontem (veja nesta coluna e nas páginas de Economia) pode ser a principal (e única) justificativa para alta dos juros básicos. A varição cambial, na prática, não justifica, mas o Banco Central pode se apegar este fato.
Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide entre hoje e amanhã se aumenta ou mantém a taxa, fixada em 15,75% na reunião do dia 21 de março. O aumento, se houver, será um retrocesso e vai expressar uma preocupação do governo com relação à fragilidade do plano econômico.
-Mas esta alta preventiva não encontraria justificativa no seio da atividade econômica: os especialistas não vêem sinais de aquecimento da demanda que eleve preços dos produtos.
Pelo contrário, há uma recessão branca, descaracterizada pelo bom desempenho de setores bem localizados.
A não ser que o governo queira argumentar com o recente aumento da inflação. Mas, de novo, vai incorrer em dados falsos. É que a inflação só se manifestou por conta do aumento das tarifas governamentais.
Mesmo assim, a demanda está tão comportada (reprimida!) que os aumentos de tarifas no início do ano foram absorvidos e o efeito dominó não chegou a ocorrer em todos os produtos.
Se quiser o Compom vai encontrar mais razões para reduzir ou manter os juros do que propriamente para aumentá-los.
Um bom exemplo é o que ocorreu na última reunião do Comitê, dia 21 de março: O aumento de 0,25% não exerceu influência sobre os preços.
Ainda ontem, a Confederação Nacional da Indústria informou que mudanças de comportamento da economia se ocorrerem serão sob influência muito mais da crise argentina do que por conta dos juros do Copom.
Enfim, o ambiente econômico em si não pede alta estratégica dos juros básicos. As taxas do mercado não cedem, mantêm-se altas e inibidoras.
Alta, se houver, irá apenas expressar a preocupação do governo com a fragilidade do plano econômico. Plano, convenhamos, que não avançou em nada a não ser num controle da inflação cujo preço é o baixo nível da atividade econômica, desemprego, crescimento da economia informal, etc. Não foi consolidado porque faltaram as reformas e outras medidas consistentes, sobre as quais tem se falando com frequência. O governo FHC deixou passar as melhores oportunidades para consecução de expectativas da sociedade. Agora, mergulhado em crise política - e de credibilidade - não terá tempo para mais nada.





