Uma boa fase para o setor avícola. As exportações de frango aumentaram 27% em janeiro e fevereiro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Março manteve o crescimento. Os dados são do Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo.
Entrevistado ontem por este jornal, o presidente da Associação dos Abatedouros e Produdtores do Paraná (Avipar), Paulo Muniz, previu que o setor terá um ciclo de três anos de ‘‘normalidade’’. É que o setor vem superando ciclo de crises desde 1997.
Em julho de 1994, início do Plano Real, o preço do frango era R$ 1,45/kg para consumidor. Hoje está em R$ 1,80 e deve chegar a R$ 2,00. No mesmo período a inflação oficial foi de 97,10%.
O frango é uma commodities cujos preços são determinados pelo mercado (aliás, fortemente concorrido). Não há como estabelecer preços a partir dos custos de produção. A explicação é do empresário Paulo Muniz.
A grande invenção da avicultura - diz ele - foi que toda vez que teve ganhos em produtividade ela transferiu essas vantagens para o consumidor que correspondeu com aumento do consumo. Diferentemente das outras carnes.
Estudiosos das cadeias alimentares concordam. O boi, por exemplo, não estabeleceu essa integração: produtor, indústria, varejo e consumidor. O frango tem marca, procedência, nome e outras especificações desde que se estabeleceu como produção de escala, no início dos anos 70.
Competitiva e profissional a cadeia avícola tem razão de sobra para ficar de olho no mercado europeu. Segundo Muniz, eles (a UE) devem estar se quesionando: será que vale à pena manter uma indústria que custa - em subsídios para a sociedade - cerca de US$ 1 bilhão/dia?. E o que fazer com os resíduos? Não será melhor importar a carne?.
Enquanto a Europa discute conceitos. O Brasil deve discutir estratégias de mercado.

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